Futuro de Georgieva no FMI deve ofuscar reunião anual do Fundo com Banco Mundial, que começa nesta segunda

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LONDRES, NOVA YORK, WASHINGTON - O futuro da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, deve roubar as atenções do encontro anual promovido pelo Fundo e o Banco Mundial, que começa nesta segunda-feira. A reunião, que será em Washington, vai até 17 de outubro e reúne ministros de Fazenda de mais de 190 países.

Georgieva é acusada de favorecer a China no relatório Doing Business, do Banco Mundial, quando trabalhava na instiuição americana como executiva-chefe. As discussões sobre mantê-la ou não no cargo já provocou um racha no FMI, segundo o jornal britânico Financial Times.

Estados Unidos e Japão, os dois maiores acionistas do Fundo, defendem a saída de Georgieva, enquanto França, Alemanha, Itália e Reino Unido são favoráveis à continuidade da executiva no cargo, alinhando-se com China e Rússia, segundo fontes ouvidas pelo FT.

Neste domingo, o FMI faria uma reunião com seus diretores, Georgieva e o escritório de advocacia WilmerHale, que a acusa de ter pressionado a equipe do Banco Mundial para alterar os dados relativos à China e, assim, beneficiar o país no relatório Doing Business.

Posição alterada

O relatório traz indicadores sobre facilidades e dificuldades de se fazer negócios em várias nações. Em uma auditoria, o escritório concluiu que, na edição de 2018 do documento, a classificação da China foi elevada artificialmente do 85º para o 78º lugar, a mesma do ano anterior, depois de pressões do governo chinês.

Na semana passada, o conselho do FMI esteve reunido por dois dias, mas não conseguiu chegar a um consenso. Em um comunicado divulgado na noite de sexta-feira, o Fundo informou que esperava concluir a investigação "muito em breve".

Georgieva vem negando fortemente as acusações. No entanto, um ex-chefe de divisões do FMI disse ao FT que as divergências do conselho sobre o destino da executiva minou sua capacidade de liderança, deixando poucas alternativas além de sua substituição.

Na sexta-feira, o ex-Primeiro Ministro do Reino Unido, Gordon Brown, defendeu Georgieva através de uma postagem no Twitter, dizendo que ela foi "uma excelente servidora pública", que serviu "com distinção" no cargo

Ex-Nobel defende Georgieva

Seis ex-funcionários do Banco Mundial também saíram em defesa da executiva em um comunicado divulgado por uma agência de relações públicas contratada por Georgieva no mês passado, classificando-a como uma "pessoa da maior integridade e compromisso com o desenvolvimento".

Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel e ex-economista-chefe do Banco Mundial, descreveu os esforços para removê-la do cargo como um "golpe" e o relatório da WilmerHale como um "hatchet job", expressão em inglês para caracterizar um documento feito com a intenção de destruir a reputação de alguém.

Mas os críticos de Georgieva dizem que o foco deve ser nas alegações do relatório da WilmerHale e suas implicações para a credibilidade do Banco Mundial e do FMI como fornecedores de dados econômicos padrão-ouro.

- Estou preocupada que, se realmente for permitido que isso passe, teremos mais pressão para que mais governos mudem mais números em direções mais favoráveis - disse Anne Krueger, uma ex-economista-chefe do Banco Mundial, em entrevista ao FT.

Há ainda o temor de que o destino de Georgieva seja decidido não por suas realizações ou pelas preocupações com a credibilidade das duas principais instituições multilaterais do mundo, o FMI e o Banco Mundial, mas pela geopolítica.

O receio é que as divisões acerca da permanência da executiva acabem mascarando outros conflitos entre os países, como as tensões crescentes entre Washington e Pequim, e a raiva da França sobre a decisão da Austrália de descartar um acordo para comprar submarinos nucleares franceses em favor de um acordo com os EUA e o Reino Unido para combater a China.

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