Futuro de meninas hondurenhas "em risco" após destruição de escolas, alerta ONG

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Escola destruída pela passagem dos furacões Eta e Iota, fotografada em 20 de dezembro de 2020 em El Negrito, Honduras

A destruição de centenas de escolas após a passagem dos furacões Eta e Iota fez com que muitas meninas hondurenhas precisassem procurar emprego para sair da pobreza, colocando em risco sua segurança e futuro, denunciou nesta terça-feira (16) uma organização humanitária com sede no Panamá.

O futuro das meninas em Honduras é "incerto", está "em suspense" e "corre alto risco", afirmou a ONG Plan International em um comunicado.

A preocupação surge porque mais de 500 escolas foram destruídas ou parcialmente danificadas após os furacões de novembro, o que, somado à suspensão das aulas devido à pandemia da covid-19, pode causar o abandono escolar.

Além disso, muitas meninas foram obrigadas a buscar trabalho para aliviar a precária situação econômica de suas famílias, o que compromete seu futuro e as torna mais vulneráveis à pobreza, à violência e à gravidez precoce e indesejada.

A quarentena pela covid-19 "já colocou as meninas em situação crítica diante de sua continuidade educacional" e agora "o risco é muito maior porque não há escolas para onde retornar, pois muitas estão destruídas", explica Carmen Amaya, diretora interina da Plan International Honduras.

A ONG alerta também que, entre as 96 mil pessoas que ainda permanecem em abrigos, há meninas que vivem sob "risco muito alto de proteção" porque estão "em condições inadequadas" e "expostas ao assédio e abuso sexual" nesses locais.

A Plan International também prevê que a pobreza, o desemprego e a falta de acesso a serviços básicos farão com que muitas meninas procurem migrar em busca de um futuro melhor.

"Para quem decide migrar, sozinho ou com suas famílias, o caminho também não é fácil", ressaltou Amaya.

"Migrar significa não apenas deixar a escola, mas se expor a múltiplas formas de violência" ao longo da rota e "chegar a um destino incerto", acrescenta Amaya.

Em Honduras, os furacões Eta e Iota mataram quase uma centena de pessoas em novembro e afetaram quase metade de seus 9,5 milhões de habitantes.

Além disso, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) estimou as perdas em um montante superior a 1,8 bilhões de dólares.

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