Futuro ministro da Saúde diz que mudança de rumo em sua gestão será a obediência à ciência

DANIEL CARVALHO E RICARDO DELLA COLETTA
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Anunciado mas ainda não empossado como o novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga disse nesta quinta-feira (18) que o governo não tem "vara de condão" para resolver os problemas decorrentes da pandemia de Covid-19 e que a mudança de rumo de sua gestão será a obediência à ciência. Queiroga foi ao Palácio do Planalto para se encontrar com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Questionado sobre o que seria feito de diferente, ele disse que mudanças já estavam em curso. "Já está sendo feito. O diferente é seguir as recomendações da ciência. O presidente escolheu um médico para o ministério, um médico que é oriundo de uma sociedade científica, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que foi sempre quem protagonizou a medicina baseada em evidência", disse o anunciado ministro, que ainda não tem data oficial para tomar posse. "Nem o governo federal nem governo nenhum tem vara de condão para resolver todos os problemas. Existe a ciência do nosso lado, existe a necessidade de implementação de protocolos assistenciais para qualificar ainda mais nossos recursos humanos para buscar resultados melhores. É uma situação complexa e precisamos nos empenhar para vencer o inimigo comum, que é o vírus." Queiroga afirmou ter recebido de Bolsonaro autonomia para montar sua equipe e pediu paciência aos jornalistas para que medidas adicionais sejam implementadas. O cardiologista defendeu a vacinação e um "distanciamento social inteligente", mas não detalhou o que isso seria. "A expectativa é que consigamos ampliar cada vez mais a vacina. A vacina, como sabemos, não vai resolver a curto prazo esses óbitos. O que resolve? Política de distanciamento social inteligente e melhorar a qualidade de assistência nas unidades de terapia intensiva", afirmou o médico. Desde o inicio da pandemia, Bolsonaro tem ignorado orientações de autoridades sanitárias, como o uso de máscaras, e voltou a criticar prefeitos e governadores que implementam medidas restritivas para tentar conter a disseminação do novo coronavírus. Queiroga tem dado sinais duplos: ao mesmo tempo em que fala em "continuidade" e cita que a política "é do governo Jair Bolsonaro, e não do ministro da Saúde", tem defendido medidas que iriam originalmente na contramão do presidente, como uso de máscaras. Disse também que pretende avaliar novas ações com base nas "melhores evidências científicas". Por outro lado, Queiroga vinha evitando bater de frente com Bolsonaro em alguns temas caros ao governo, como a cloroquina e o isolamento social. Antes de assumir o cargo, Queiroga disse não recomendar o medicamento para Covid-19, pela falta de eficácia comprovada, nem lockdown. Disse ainda que, neste caso, é preciso ter atenção à economia, ponto-chave do discurso do presidente.