Trump contrata novos advogados antes de julgamento político

Ben Sheppard
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Foto tirada em 20 de janeiro de 2021 mostra o americano Donald Trump em seu último dia na Presidência, embarcando no helicóptero Marine One, na Casa Branca, em Washington

O ex-presidente americano Donald Trump anunciou no domingo que contratou dois novos advogados para liderar sua defesa, poucos dias antes de seu histórico segundo julgamento político, enquanto os republicanos se preparam para uma batalha a respeito do futuro do partido.

O julgamento de Trump no Senado deve começar em 9 de fevereiro, mas o empresário surpreendeu a todos ao dispensar os advogados depois que, segundo vários meios de comunicação, a equipe legal se negou a concentrar a defesa em suas afirmações infundadas de fraude nas eleições em que foi derrotado em novembro, optando por destacar as questões constitucionais.

Mas o ex-presidente anunciou no domingo que contratou dois novos advogados para comandar a sua defesa. Trump informou em um comunicado os nomes dos "altamente respeitados advogados litigantes" David Schoen e Bruce L. Castor Jr.

Schoen é um especialista em "litígios sobre direitos civis no Alabama e em defesa penal federal em Nova York, incluindo casos de colarinho branco". Ele representou o aliado Trump Roger Stone, enquanto Castor tem uma carreira no direito penal.

Os dois "concordam que este impeachment é inconstitucional", segundo o comunicado.

O julgamento por suposta "incitação à insurreição" no âmbito da invasão do Capitólio por parte seus partidários evidenciou a diferença entre os leais a Trump que dominam o Partido Republicano e sua ala moderada.

"O julgamento do Senado vai exigir de todos os republicanos tomar uma posição mais clara", disse o governador do Arkansas, Asa Hutchinson, ao programa "This Week", da rede ABC.

"Temos que respeitar as pessoas que apoiaram Donald Trump.... Mas ao mesmo tempo, não queremos passar por cima das ações terríveis que ocorreram no Capitólio", expressou.

É cada vez mais provável que Trump se livre da condenação, devido ao apoio do seu partido no Senado, cujos integrantes - 50 republicanos e 50 democratas - atuarão como jurados no julgamento.

Todos exceto cinco senadores republicanos já apoiaram uma tentativa de indeferir o caso por motivos constitucionais, o que torna praticamente impossível alcançar os dois terços necessários para condenar Trump.

Mas é certo que no âmbito do julgamento são traçadas linhas de batalha sobre quem controla o partido após a derrota de Trump.

Em 6 de janeiro, Trump fez um discurso enérgico em frente à Casa Branca, exortando seus seguidores a marchar rumo ao Capitólio para protestar durante a sessão legislativa dedicada a certificar a vitória de Joe Biden, que considera fraudulenta, sem apresentar provas.

Em seguida, os manifestantes invadiram violentamente os edifícios do Capitólio, produzindo cenas que chocaram o país e o mundo. Os distúrbios deixaram cinco mortos

- Trump continua no comando? -

"Os comentários do presidente esse dia foram em parte responsáveis pelo que aconteceu, pela terrível violência", avaliou o senador republicano Rob Portman à CNN. "O que fez foi errado e é imperdoável", destacou.

"Sou membro do júri. Vou manter a mente aberta enquanto atravessamos isto (o julgamento). Mas acho que este tema da constitucionalidade deve ser abordado. Estaríamos condenando um cidadão privado, alguém que está fora do cargo. Isso estabelece um precedente", alegou.

Adam Kinzinger, um dos dez republicanos na Câmara de Representantes que votaram por um julgamento político no começo deste mês, disse neste domingo que Trump está "desesperado para continuar parecendo que está liderando o partido".

"Temos que deixar de ser o partido que defende inclusive uma insurreição, um agente de polícia morto e outros americanos mortos no Capitólio", destacou Kinzinger à rede NBC.

Embora se digam contrários ao julgamento de Trump, os senadores republicanos estão impulsionando esforços para censurá-lo por seu papel nos distúrbios.

Mas embora uma condenação vá dar lugar a uma votação a definir por maioria simples se é possível proibir Trump de ocupar um cargo público no futuro, uma moção de censura não terá este resultado.

As divisões nas fileiras republicanas ficaram mais evidentes ainda nos últimos dias pela legisladora recém-eleita Marjorie Taylor Greene, que promoveu teorias da conspiração impulsionadas pelo movimento de extrema direita QAnon e apoiou as afirmações falsas de fraude eleitoral de Trump.

Os líderes do partido estão sob uma pressão crescente para tomar medidas contra a legisladora, que em publicações online anteriores se mostrou favorável a executar democratas e afirmou que tiroteios trágicos registrados em centros estudantis nos últimos anos foram organizados para socavar o apoio aos direitos de compra, porte e uso de armas.

Mas Taylor Greene tem se mantido desafiadora e sustentou no sábado em sua conta no Twitter que teve uma "GRANDE conversa telefônica" com Trump, ao mesmo tempo em que se apresenta como o novo destaque da ala trumpista do partido.

Trump, que deixou a Casa Branca e se radicou na Flórida antes da posse de Biden, disse que quer continuar ativo na política de alguma forma.

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