Gêmeas do nado artístico relembram resgate em piscina; mal estar não é raro na modalidade

A imagem da americana Anita Alvarez inconsciente no fundo da piscina do Mundial de Esportes Aquáticos rodou o mundo nas últimas horas. A atleta perdeu a consciência após sua apresentação na final do solo livre do nado artístico, e precisou ser salva pela própria técnica. Apesar de chocante, a cena não é tão rara na modalidade, inclusive as brasileiras Bia e Branca Ferer já presenciaram um episódio similar.

— Já resgatei uma atleta alemã que passou mal. Foi em uma prova de figuras em uma competição nos Estados Unidos. Ela desmaiou e eu subi, mas ela continuou a competição normalmente —contou Branca, que ao lado da irmã conquistou o bronze dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio.

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As ex-atletas contam que já viram várias de suas colegas desmaiarem durante os treinos, onde isso se torna ainda mais comum:

— O nado artístico é um esporte que é de uma exaustão que eu nunca vi parecido. Hoje longe das piscinas, eu me aventuro em vários outros esportes, mas nada se compara com o cansaço físico do nado porque a gente trabalha em apneia — explica Bia.

Assistir a uma atleta 'apagar' no meio de uma competição costuma ser raro, mas sintomas como tremores e enjoo após a exibição são rotina para essas atletas.

—A falta de oxigenação faz com que muitas vezes a gente chegue a uma fadiga fora do normal. Quando a coreografia é muito puxada, acontece da gente ficar com língua ou mão dormente. É supercomum sair da prova e não conseguir receber a nota em pé, e precisar sentar por causa do cansaço e do esforço — conta Branca, que apesar de ter convivido com isso, não normaliza a situação: — Cada pessoa tem que saber seu limite, e a gente treina para isso. Então não é para acontecer.

Desmaios não são consequência da exaustão

No acidente ocorrido no Mundial, que está sendo realizado em Budapeste, Alvarez ficou cerca de 10 segundos embaixo d'água.

— Todos ficamos surpresos. Somos todos treinados para isso não acontecer, mas infelizmente as vezes o corpo humano da seu limite. Todas nós passamos por uma bateria de exames regularmente. Certamente uma raridade esse incidente — conta Gabriela Regly, atleta de Nado Artístico da seleção brasileira e do Flamengo.

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A imprensa local divulgou o ocorrido como uma consequência de um quadro de exaustão. A atleta foi retirada da piscina de maca e levada para atendimento médico, e passa bem. Apesar do nado artístico realmente exigir muito do corpo, na maioria das vezes a exaustão não é necessariamente a responsável pela perda de consciência durante a prática.

— Na exaustão eventualmente você pode colapsar, mas não perder a consciência. Nesse caso é necessário investigar causas cardíacas, sobretudo num atleta. Exaustão seria um diagnóstico de exclusão, após investigar todas as possíveis causas — explica o médico do esporte Fabrício Braga, que é diretor do Laboratório de Performance Humana (LPH) da Casa de Saúde São José.

O desmaio geralmente se dá pelo acúmulo de gás carbônico no sangue quando a pessoa prende a respiração. O médico explica que existem estratégias ventilatórias subaquáticas para evitar incidentes:

— É preciso saber se a atleta está treinada a tolerar ficar bastante tempo submersa e sabendo controlar a saída de gás carbônico. Pode ser que ela esteja sendo submetida a uma manobra subaquática da qual ela não está apta a fazer.

Braga destaca que em qualquer circunstância que o atleta perca a consciência, as causas devem ser investigadas. Isso é necessário para descartar qualquer problema não diagnosticado que pode levar a morte súbita.

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