Gôndolas voltam a Veneza apesar da ausência de turistas

Por Giovanna GIRARDI
Gondoleiro usa máscara para transportar seu primeiro cliente em Veneza no dia 18 de maio de 2020

As famosas gôndolas em Veneza reapareceram no Grande Canal para transportar principalmente moradores devido à longa ausência de turistas por causa do coronavírus.

Equipados com máscara e luvas cirúrgicas, dois gondoleiros com suas camisetas listradas clássicas ficam de pé na elegante gôndola de madeira preta, o meio que durante séculos garantiu o transporte entre as mais de cem pequenas ilhas que compõem a cidade de Marco Polo.

"Respeitamos o protocolo sanitário deixando um metro de distância entre os passageiros. A gôndola tem capacidade para 14 pessoas e poderemos transportar apenas seis", disse à AFP Stefano Scarpa, que cobra dois euros para atravessar o Grande Canal.

"Dessa forma, a viagem é mais curta e se economiza tempo", explica, enquanto espera a lenta entrada de alguns venezianos, usando máscaras e luvas, a maioria dos moradores que usam esse meio de transporte o ano todo.

Devido à ausência desde março de turistas, principal fonte de renda da cidade, e ao reduzido tráfego de embarcações, táxis, vaporetos e embarcações particulares, as águas estão cristalinas, de cor turquesa recuperada.

Pela primeira vez em décadas, os venezianos desfrutam de sua cidade e suas joias arquitetônicas, como a Ponte Rialto e os becos circundantes entre os setores mais movimentados, sem a horda de turistas.

Conforme ordenado pelas autoridades, os gondoleiros marcaram os espaços que devem ser ocupados pelos passageiros para garantir a separação de um metro.

- Sem turistas ou com turistas, Veneza é linda -

Sem muitos clientes, os gondoleiros esperam que, com a abertura das fronteiras para os europeus, prevista para 3 de junho, o turismo, um setor afetado pela pandemia, seja retomado.

Após dois meses de confinamento para conter a disseminação, a Itália entrou em uma nova fase na segunda-feira, com lojas, cafés e restaurantes abertos. Apesar disso, muitos locais e hotéis venezianos permanecem fechados.

De qualquer forma, pode-se caminhar tranquilamente pelas ruas mais centrais e, além de supermercados e livrarias, algumas lojas de roupas, fotografias, eletrônicos e móveis foram abertas.

"Precisamos de ajuda ou morreremos", diz uma placa na porta de uma das lojas. Uma declaração que resume o sentimento de muitos comerciantes, sufocados por aluguéis altos e falta de turistas.

A cidade também sofreu um grande revés quando as marés atingiram níveis históricos no ano passado, causando graves inundações e, apesar de ter se recuperado, o vírus a atingiu com força.

"É apenas o começo. Começamos a ver uma luz no fim do túnel. Ainda há muito poucas pessoas, mesmo as pessoas que trabalham não saíram", alerta Scarpa.

Algumas pessoas se encontram pela primeira vez em meses e se cumprimentam.

O céu estava um pouco cinza e provavelmente vai chover. Sem turistas ou com turismo de massa, a cidade corre o risco de morrer. Apesar disso, Veneza é sempre linda.