G-20 opta por planeta mais pobre, mas economicamente ativo

Renato Andrade

Os líderes das 20 maiores economias do planeta fizeram uma opção: gastarão caminhões de dinheiro para salvar vidas, manter emprego e renda e garantir, ao final da penosa trajetória de combate ao novo coronavírus, um comércio entre nações em pleno funcionamento, ainda que todos os participantes do jogo estejam mais pobres.

O comunicado divulgado ao final do encontro virtual desta quinta-feira traz expressões que não são usualmente encontradas neste tipo de documento: “espírito de solidariedade”, “profundamente tristes”, “trágica perda de vidas”, “proteger as pessoas, especialmente as mais vulneráveis”.

São palavras que reforçam a principal diferença da atual crise econômica da tormenta que abalou o planeta em 2008: o problema agora não nasceu no complexo mundo financeiro. Ele vem de fora e para tentar conter seu avanço, a atividade econômica precisa ser praticamente anulada.

Mesmo sabendo do custo que essa parada terá sobre a economia global – é preciso lembrar que as interrupções não são coordenadas – as lideranças do G-20 consideram que esse ainda é o melhor caminho para enfrentar o desafio de saúde que se impõem neste momento.

O Brasil estava presente ao encontro e é um dos signatários do documento que reconhece que o novo vírus “não respeita fronteiras” e que o combate à pandemia exige uma “resposta global com espírito de solidariedade, que seja transparente, robusta, coordenada, de larga escala e baseada na ciência”.

Se a resposta do governo brasileiro diferir, de algum modo, do que foi acertado entre os 20 maiores, quando a pandemia for resolvida e os jogos econômicos voltarem a pleno vapor, o país poderá ser seriamente prejudicado.

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