Ataque com granada deixa 3 mortos e mais de 50 feridos na Etiópia

Adis Abeba, 17 abr (EFE).- Pelo menos três pessoas morreram nesta terça-feira e mais de 50 ficaram feridas na Etiópia em um ataque com uma granada cometido contra uma estação de ônibus na cidade de Moyale, próxima da fronteira com o Quênia, informaram as autoridades etíopes.

O Departamento Administrativo e de Segurança da região de Oromia, no sul do país, atribuiu o ataque a forças armadas da região vizinha Somali, indicou o site de notícias etíope "Addis Standard".

O Escritório de Comunicação de Moyale, por sua vez, culpou pela explosão integrantes da Liyu, uma polêmica força paramilitar que opera na região Somali.

O diretor do hospital de Moyale, Kussu Abduba, confirmou que oito feridos no incidente deram entrada nesse centro de saúde e que a situação dos mesmos é considerada "estável", conforme declarou à rádio queniana "SIFA Marsabit".

Dois grupos étnicos, os oromos, que são majoritários, e os somalis, a segunda etnia predominante em Moyale, disputam o controle da cidade, que fica em um ponto estratégico de comércio na fronteira com o Quênia.

O ataque ocorreu quando Moyale ainda se recuperava da morte, no dia 10 de março, de pelo menos nove civis pelo exército etíope, que os confundiu com integrantes da Frente de Libertação Oromo (OLF, na sigla em inglês), um movimento separatista que luta há décadas pela independência.

Além disso, a explosão aconteceu em um contexto no qual oromos e somalis mantêm uma tensa relação, que é atribuída com frequência ao controle dos recursos na fronteira entre ambas as regiões.

A violência entre as duas etnias causou nos últimos meses dezenas de mortos e milhares de deslocados.

Pelo menos 61 pessoas morreram e mais de 360 casas foram destruídas em dezembro em enfrentamentos entre oromos e somalis em Oromia, lar do grupo étnico majoritário do país.

No dia 16 de fevereiro, o então primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn, que tinha anunciado sua renúncia um dia antes, decretou o estado de emergência no país durante seis meses, que pode ser prorrogado por outros quatro, devido "aos acontecimentos no país que ameaçam a segurança e a ordem constitucional".

Desalegn pretendia acalmar os protestos nas regiões de Amhara (norte) e Oromia, mas o efeito foi o inverso e produziu um aumento das mortes de civis pelas mãos do exército, segundo denunciaram veículos de imprensa locais.

O novo primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, um jovem oromo e reformista que jurou o cargo no último dia 2 e se converteu no terceiro chefe de governo do país em quase três décadas, encara agora a atual situação de insegurança e deve decidir sobre o estado de emergência, criticado por ONGs e países como os Estados Unidos. EFE

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