G20: Presidente indonésio pede fim da guerra na Ucrânia

"Se a guerra não acabar, será difícil para o mundo seguir em frente", palavras do presidente indonésio, referindo-se à invasão russa da Ucrânia, no arranque do G20, que decorre em Bali. "Não devemos dividir o mundo em partes" nem permitir que ele "caia noutra guerra fria", frisava Joko Widodo.

Avisos que Vladimir Putin não ouviu já que a Rússia se faz representar no encontro que decorre na ilha indonésia pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov.

"Recuperar juntos, recuperar mais fortes"

O lema do encontro é este e surge na sequência da pandemia de Covid 19 que pôs "de rastos" as economias a nível mundial, ao mesmo tempo que muitas fortunas cresciam. Um fórum, que reúne as 19 maiores economias a nível mundial e a União Europeia, formado para encorajar a cooperação e coordenação em matérias globais como a estabilidade financeira, as alterações climáticas e o crescimento económico sustentável mas que se vê ensombrado pela crise económica criada pela pandemia mas também pela guerra na Ucrânia. Tema que acaba por ser um dos que dominará este encontro.

A inflação e o abrandamento das economias estão a pesar sobre vários dos países que impuseram sanções à Rússia por ter iniciado a guerra há nove meses. O aumento no custo da energia e dos alimentos tem desestabilizado a atividade empresarial em todo o mundo, grande parte da Europa prepara-se para um inverno sem gás natural russo.

A invasão russa da Ucrânia à luz do G20

Enquanto o Presidente dos EUA, Joe Biden, continua determinado em persuadir as maiores economias do mundo a isolarem, mais ainda, e em termos diplomáticos e económicos, a Rússia, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel dizia, já esta terça-feira, que é preciso aumentar a pressão sobre Moscovo e sobre a China, que mantém uma posição de não condenação à invasão russa.

Foi, exatamente, com o presidente chinês que o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, se sentou à mesa. Para o presidente gaulês o combate às alterações climáticas é, "provavelmente", a questão mais importante a ser debatida nesta cimeira mas a guerra na Ucrânia não pode ser esquecida.

Por seu lado, Xi Jinping apelava à defesa dos princípios da "independência, autonomia, abertura e cooperação", entre os dois países. O líder chinês dizia, já esta terça-feira, que se devem opor, "resolutamente, à tentativa de politizar questões alimentares e energéticas ou utilizá-las como ferramentas e armas. (...) As sanções unilaterais devem ser eliminadas, e as restrições à cooperação científica e tecnológica relevante devem ser levantadas".

Ainda que as posições não sejam todas consensuais, e mesmo com a Rússia presente, espera-se que seja redigida uma declaração final na qual a maioria dos membros do G20 condenem a agressão da Rússia à Ucrânia.

Indonésia prepara-se para o G20

Na Indonésia, e para garantir a segurança da cimeira há 18 mil militares e polícias nas ruas. Este evento acontece 20 anos depois de um atentado terrorista ter matado mais de 200 pessoas de 23 nacionalidades, entre eles um português.

A segurança passa também por tentar evitar uma catástrofe no caso de acontecer um desastre natural, já que a ilha de Bali se situa no Anel de Fogo do Pacífico, propenso a sismos, erupções vulcânicas e tsunamis. Um grupo de 1.500 elementos das forças de segurança estão em alerta para o caso de ser necessário levar os participantes do G20 para locais seguros. O evento termina amanhã, 16 de novembro.