G7 aplicará um teto ao preço do petróleo russo

O G7 aplicará "urgentemente" um teto ao preço do petróleo russo e pedirá que uma "ampla coalizão" de países participe da medida, de acordo com um comunicado divulgado pelo grupo nesta sexta-feira (2).

A decisão, que pretende ser um novo golpe na influência energética de Moscou, foi adotada durante uma videoconferência dos ministros da Economia dos sete países mais industrializados do mundo (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, França, Japão).

"Hoje, o G7 superou uma etapa essencial para realizar nosso duplo objetivo: pressionar pela redução dos preços mundiais da energia e privar [Vladimir] Putin de renda para financiar sua brutal guerra na Ucrânia", comemorou a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen.

Pouco antes da declaração do G7, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou que impor um teto ao preço do petróleo russo "levaria a uma desestabilização significativa do mercado".

Com tamanha "interferência" no mercado petrolífero, "os consumidores europeus e americanos serão os primeiros a pagar" as consequências, ameaçou o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, citado por agências de notícias.

- Mecanismo complexo -

No entanto, a aplicação do mecanismo de teto dos preços do petróleo russo anuncia-se complexa.

"O limite será fixado em um nível baseado em uma série de dados técnicos e será decidido por toda a coalizão antes de sua aplicação", escreveram os países do G7 no comunicado, assegurando que o preço decidido será então comunicado "publicamente de forma clara e transparente".

Especificamente, a Rússia venderia seu petróleo a esses países a um preço inferior ao atual, mas ainda superior ao preço de produção, para que haja interesse econômico em continuar a vendê-lo e, assim, não cortar seus suprimentos.

"O teto de preço é projetado especificamente para reduzir os lucros da Rússia e sua capacidade de financiar sua guerra agressiva, limitando o impacto da guerra da Rússia no mundo", em particular nos "países de baixa renda", disse o G7 em seu comunicado.

O desafio é conseguir o maior número possível de países, já que o teto de preço só funcionará se os grandes compradores participarem, enfatizam os especialistas, principalmente China e Índia.

Com esse objetivo, o G7 "convida todos os países a opinarem sobre o conceito, e a implementarem essa importante medida" para criar "uma ampla coalizão" que maximize o efeito da medida.

- Cúpula crucial -

As potências ocidentais intensificaram as ações contra Moscou desde que a Rússia invadiu a Ucrânia no final de fevereiro.

A cúpula do G20, a ser realizada em Bali nos dias 15 e 16 de novembro, será uma data crucial na tentativa de ampliar essa coalizão.

Os líderes dos países do G7, sob o impulso de Washington, já trabalhavam desde o final de junho para desenvolver mecanismos para implementar tais tetos, apoiados na proibição de seguradoras e resseguradoras de cobrirem o transporte marítimo de petróleo russo.

"As compras de petróleo russo só poderão ter acesso a estes serviços marítimos essenciais se o petróleo for vendido por um valor abaixo do teto", explicou Yellen à emissora MSNBC, acrescentando que 90% desses serviços são realizados por empresas europeias.

Yellen espera que este mecanismo tenha efeitos reais na economia russa.

"Já começamos a ver o impacto do teto de preços através das apressadas tentativas da Rússia de negociar trocas bilaterais de petróleo com grandes descontos", afirmou em um comunicado.

Este teto pode representar um novo golpe na economia russa, já "mergulhada em uma profunda recessão", comemorou o ministro do Tesouro britânico, Nadhim Zahawi.

No entanto, a medida corre o risco de gerar efeitos colaterais na economia mundial, alerta o grupo de pesquisa Capital Economics.

O mecanismo "poderia elevar os preços mundiais da energia", alertou em nota, embora enfatizando que "o teto também pode ser eficaz na redução da receita tributária do governo russo".

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