G7 e UE poderiam doar mais de 150 milhões de vacinas contra a covid-19 para Covax, diz Unicef

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María Cristina González, 97, é imunizada contra a covid-19 com uma vacina da AstraZeneca doada pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele em Ojojona, departamento de Francisco Morazán, Honduras, em 15 de maio de 2021

Os países do G7 e os membros da União Europeia (UE) seriam capazes de doar mais de 150 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 para países desfavorecidos, a fim de tentar aliviar as desigualdades no acesso aos imunizantes, disse o Unicef neste domingo (16).

Essa quantidade poderia ser alcançada se o grupo dos sete países mais ricos do mundo - cujos líderes se reunirão em junho em cúpula na Inglaterra - e os membros da União Européia compartilhassem apenas 20% de suas reservas de vacinas em junho, julho e agosto. É o que indica um estudo realizado pela Airfinity, um gabinete especializado em análise de dados científicos financiado pela filial britânica do Unicef.

“E eles poderiam fazer isso cumprindo os compromissos de vacinação de sua própria população”, esclareceu Henrietta Fore, diretora-geral da agência da ONU.

As vacinas contra o novo coronavírus continuam escassas devido à produção insuficiente, enquanto o mecanismo internacional Covax, implantado para tentar evitar que os países ricos fiquem com a maioria das doses, está longe de realizar a distribuição que previa.

O sistema Covax foi estabelecido pela Aliança Global de Vacinas (Gavi), as Nações Unidas (ONU) e a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi).

- 190 milhões de doses -

Em junho, a Covax terá aproximadamente 190 milhões de doses a menos que o volume inicialmente previsto. O Unicef, que tem uma experiência incomparável em termos de vacinação, é o responsável pela distribuição.

A Índia deveria fornecer a maior parte das vacinas para o Covax este ano, mas a explosão de infecções no país levou as autoridades a proibirem as exportações do imunizante, para dar prioridade a sua população.

Soma-se à escassez de vacinas a falta de fundos, o que complica ainda mais a situação.

Enquanto medidas mais duráveis são implementadas para aumentar a produção, o Unicef considera que “compartilhar imediatamente as doses excedentes é uma medida mínima, imprescindível e emergencial, necessária de imediato”.

Os Estados Unidos contam com 60 milhões de doses da vacina da AstraZeneca - que desperta certa desconfiança em parte da população - e indicaram que vão distribuí-las, enquanto a França anunciou que vai doar meio milhão de doses para a Covax, e a Suécia e a Suíça, um milhão cada.

- Um terço contra 0,2% -

No momento, segundo estudo encomendado pela Covax, um terço da população dos países mais ricos recebeu pelo menos a primeira dose, enquanto nos países pobres essa proporção é de apenas 0,2%.

Uma desigualdade que o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, considera injusta, portanto, na sexta-feira ele pediu aos países que renunciem a vacinar crianças e adolescentes por enquanto - setores da população que parecem menos propensos a desenvolver formas graves da doença - e que essas doses sejam doadas à Covax.

Quem defende o compartilhamento das doses aponta que, sem a população imunizada, uma forte circulação do vírus pode dar origem a variantes mais contagiosas, mais letais e, talvez, resistentes às vacinas atuais.

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