G7 está firme em seu apoio à Ucrânia e cauteloso em relação à China

O G7, grupo das economias mais avançadas do planeta, expressou nesta sexta-feira (4) um apoio "inabalável" à Ucrânia diante da invasão russa e posições unidas, ainda que com nuances, contra a China.

Os chefes da diplomacia dos países do G7 (EUA, Canadá, França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Japão), reunidos na cidade alemã de Münster, também denunciaram os testes de mísseis da Coreia do Norte e a repressão às manifestações no Irã.

Em relação à Ucrânia, eles concordaram em estabelecer um "mecanismo de coordenação" para ajudar esta ex-república soviética a reconstruir e defender suas infraestruturas de água e eletricidade, bombardeadas pela Rússia nas últimas semanas.

Este mecanismo permitirá coordenar a ajuda dos países para consertar as instalações e entregar "bombas d'água, aquecedores, casas e banheiros portáteis, camas, cobertores e barracas", explicou na quinta-feira a ministra alemã das Relações Exteriores, Annalena Baerbock.

"Reiteramos nosso compromisso inabalável de continuar fornecendo o apoio financeiro, humanitário, político, técnico e de defesa de que a Ucrânia precisa para aliviar o sofrimento de sua população e defender sua soberania e integridade territorial", disse o comunicado da reunião, realizada na mesma sala da Rathaus (Prefeitura) de Münster, onde em 1648 foi assinado o Tratado de Vestefália, que redesenhou a Europa.

Após as recentes mudanças de governo na Itália e no Reino Unido, esperava-se uma declaração de unidade para ilustrar a harmonia do grupo.

"Vamos ajudá-los [os ucranianos] a terminar vitoriosamente o conflito, enquanto for preciso", disse o britânico James Cleverly em entrevista à AFP.

O grupo rejeitou as acusações "falsas" de Moscou sobre a possível preparação de uma "bomba suja" pela Ucrânia e denunciou a "retórica nuclear inaceitável" da Rússia.

O G7 também instou os países produtores de petróleo a aumentar sua produção para ajudar a baixar os preços e aliviar a crise energética causada pela redução do envio de gás russo para a Europa.

- O fator chinês -

A retórica sobre a China foi muito menos contundente do que sobre a Rússia, tanto mais que a reunião do G7 ocorreu à margem de uma controversa visita a Pequim do chanceler alemão, Olaf Scholz.

Em sua declaração final, os países do G7 disseram estar prontos para uma "cooperação construtiva sempre que possível" com a potência asiática, que é ao mesmo tempo parceira, concorrente e rival das potências ocidentais, como disse Baerbock na quinta-feira.

Também pediram à China que "respeite suas obrigações internacionais" e "se abstenha de ameaças ou intimidações", em alusão à ilha de Taiwan, considerada por Pequim uma província rebelde.

O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, cujo país considera a China um adversário sistêmico, destacou a "crescente convergência entre os Estados Unidos e a Europa na abordagem" daquele país.

Enquanto isso, em Pequim, Scholz optou por "desenvolver ainda mais" as relações econômicas da Alemanha com a China, depois de se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping.

Durante a reunião, Scholz pediu a Xi que exerça "sua influência" sobre a Rússia para que acabar com a guerra na Ucrânia.

- Coreia, Irã -

Os ministros do G7 condenaram "firmemente" o lançamento recente de mísseis pela Coreia do Norte, assim como a repressão "brutal" do Irã às manifestações que sacodem o país desde setembro.

"Todo teste nuclear ou qualquer outra ação perigosa terá uma resposta internacional rápida, robusta e unida", afirmaram.

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