Gabigol e Neymar são titulares da seleção brasileira juntos pela primeira vez

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Era maio de 2013 e o Mané Garrincha recebia mais de 63 mil pessoas para assistir ao jogo entre Santos e Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro. A principal atração era Neymar, negociado com o Barcelona, na sua última partida pelo time paulista. No segundo tempo, uma promessa de 16 anos, tão badalada quanto o camisa 11 era na base, entrou em campo e estreou entre os profissionais. O apelido era sugestivo: Gabigol.

Essa foi uma das vezes em que os caminhos dos atacantes se cruzaram. Oito anos depois daquela partida em Brasília, os dois pela primeira vez serão titulares juntos da seleção principal. O Brasil enfrenta o Equador às 21h30 em Porto Alegre, pelas Eliminatórias, na partida que marca mais um encontro entre dois personagens do futebol brasileiro repletos de afinidades e que abrem um leque interessante de opções ofensivas para o técnico Tite.

Não é absurdo dizer que Gabigol, hoje principal jogador em atividade no futebol brasileiro, de certa forma herdou o molde do antecessor. Há um evidente quê de Neymar no estilo provocador do jogador do Flamengo, na autoconfiança explícita, no temperamento às vezes explosivo, no carisma que nutre junto aos mais novos, no estilo de vida de celebridade intercalado com polêmicas — seja a recente acusação de assédio, seja a ida (segundo o próprio não intencional) a um cassino clandestino na pandemia.

Tão parecidos, possuem uma diferença técnica que pode ser fundamental para os planos do técnico Tite esta noite. Gabigol é canhoto, artigo raro na posição de centroavante, e essa peculiaridade facilita a dinâmica de jogo com Neymar, destro que gosta de atuar pela esquerda. Tite vislumbra no atacante do Flamengo alguém que possa tabelar com Neymar e, assim, facilitar a entrada do camisa 10 na área adversária, vindo de trás. Além disso, há a possibilidade de inversão: Gabigol espontaneamente cai mais para o lado do pé bom e abre espaço no meio para a entrada em diagonal do jogador do PSG.

Gabigol quebra 'monopólio'

Esse aspecto, importante, se junta a outro também de peso para justificar a dupla na partida contra os equatorianos. Gabigol vive bom 2021, com 15 gols em 15 jogos, enquanto Roberto Firmino e Gabriel Jesus, seus principais concorrentes por posição, estão desgastados ao fim de uma temporada em que não brilharam.

Por muito tempo, o nível mais alto do futebol europeu pesou para que Tite privilegiasse os dois em detrimento de Gabigol, com números melhores. Firmino e Jesus tiveram praticamente o monopólio da posição de centroavante com o treinador. Mas de 2018 para cá, o novo titular somou 113 gols, contra 64 do atacante do Liverpool e 75 do jogador do City. Agora, prevaleceu a desejo de mudança.

Para a partida, haverá outras novidades além de Gabigol. Eder Militão formará dupla com Marquinhos na zaga, uma vez que Thiago Silva está lesionado. O trio no meio de campo também será inédito, com Casemiro, Fred e Lucas Paquetá.

Mas o destaque é mesmo a parceria entre Gabigol e Neymar, que já foram até cunhados, no período em que o rubro-negro namorou a irmã do jogador do PSG. Eles foram campeões olímpicos juntos nos Jogos de 2016, no Rio. Ambos foram titulares, mas Gabigol na ocasião não foi bem.