Gabigol e Pedro somam quase 40% dos gols do Flamengo na temporada e já decidiram até titulo

Marcello Neves
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Foto: Guito Moreto / Agência O Globo

Uma das explicações que mais tem se tornado problema para Rogério Ceni é a de que Gabigol e Pedro não podem jogar juntos no Flamengo. Apesar da argumentação do treinador, a atitude tem aumentado as críticas das alas da política rubro-negra e dos torcedores nas redes sociais. Talvez porquê, juntos, eles somam 37% dos gols marcados pelo clube na temporada.

Artilheiro do Flamengo na temporada e substituído por Ceni em todos os jogos que começou como titular, o camisa 9 já anotou 22 gols em 2020/2-021. Já Pedro, o vice-artilheiro rubro-negro no ano, tem 21 bolas na rede desde que chegou ao clube. Juntos, marcaram 43 dos 116 gols do clube na temporada.

Questionado sobre o motivo de não testar a dupla do camisa 21 com Gabi, o treinador pregou um discurso na contramão da sua apresentação, e justificou a escolha colocando a culpa na “recomposição”.

— Com os dois, (Pedro e Gabigol), eu não consigo ter a recomposição defensiva. Os dois se esforçam, quebram um galho, mas não são marcadores de natureza. O Muniz consegue fazer um lado do campo, recompor, minimiza a chance de sofrer gols. Gabigol e Pedro jogam centralizados, o Muniz consegue recompor na lateral — explicou.

Quando Gabigol e Pedro jogaram uuntos, ainda sob comando de Jorge Jesus, já decidiram até título. Isso acotneceu na decisão da Taçla Guanabara de 2020, quando o Rubr-Negro enfrentou o Boavista e marcou o gol do título aos 44 do segundo tempo.

O autor foi Gabigol, após um belo passe de Pedro. Por sinal, Jorge Jesus foi um dos incentivadores da contratação do centroavante da Fionretina por acreditar que teria mais opções táticas se o escalasse ao lado do camisa 9.

— Há jogos que pode acontecer. Cada jogo tem a sua história. As estratégias para cada jogo são diferenciadas. Hoje era preciso ter mais jogadores na área. Acreditávamos que o Pedro ia ter mais poder na área — explicou Jorge Jesus.

Para o ex-técnico português, Pedro é mais físico na disputa com os zagueiros e sabe fazer a função de pivô com mais qualidade. No Benfica, de Portugal, Jonas era utilizado nesta função e foi artilheiro. É o que Jorge Jesus espera refazer com o centroavante. Outro ponto é a bola aérea, onde tem maior estatura e pode levar mais perigo.

Já Gabigol segue sendo a principal referência ofensiva da equipe, mas já mostrou que pode atuar como segundo atacante — atrás de Pedro — ou mais aberto. Mesmo que Pedro seja titular, dificilmente o artilheiro rubro-negro da temporada passada deixaria a equipe.