Congresso peruano suspende debate sobre voto de confiança ao gabinete de Castillo

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Em um clima de polarização, os membros do Congresso peruano, controlado pela oposição de direita, suspendeu na noite desta nesta quinta-feira (26) até sexta o debate sobre conceder ou não um voto de confiança ao gabinete ministerial do presidente Pedro Castillo.

“Senhores, a sessão está suspensa até amanhã às 09h00”, anunciou a presidente do Congresso, María del Carmen Alva, ao fim do dia após cerca de 11 horas de debate. A sessão será retomada nesta sexta-feira com a intervenção dos 30 parlamentares que ainda não participaram, antes de dar lugar à votação.

Este é o primeiro teste para o governo de Castillo, que assumiu o cargo há um mês, após cinco anos de embates entre Executivo e Legislativo. A incerteza política levanta nuvens sobre a economia peruana, que tenta deixar para trás os efeitos nocivos da pandemia.

A primeiro-ministro de Castillo, Guido Bellido, expôs esta manhã no plenário do Congresso os planos do novo governo e pediu o voto de confiança, imprescindível para que o gabinete se mantenha em funções, segundo a Constituição.

“Viemos à Câmara não só para pedir um voto de confiança [...], mas para [pedir] que afastemos nossas diferenças para resolver uma das mais graves crises políticas, econômicas e de saúde das últimas décadas", disse Bellido, um engenheiro e parlamentar de esquerda de 41 anos, cuja nomeação como chefe de Gabinete foi amplamente questionada pela oposição.

Depois da exposição de quase três horas de Bellido e uma pausa para o almoço, teve início um áspero debate entre os legisladores que se estendeu por muitas horas.

"O discurso foi um conto de fadas (...) Não estamos em condições de dar um voto de confiança", disse o legislador Jorge Montoya, almirante reformado e líder da bancada do partido de ultradireita Renovação Popular.

"É impossível dar um segundo de confiança ao gabinete", afirmou Hernando Guerra García, líder da bancada da Força Popular, partido de Keiko Fujimori, a quem Castillo derrotou no segundo turno de 6 de junho.

Waldemar Cerrón, do governista Peru Livre, pediu um voto a favor do governo como uma "demonstração de que lutamos contra a corrupção, a injustiça".

Enquanto isso, do lado de fora do Congresso, dezenas de manifestantes contra e a favor do governo eram mantidos à distância pela polícia.

- Mensagem em quéchua -

Bellido, natural da região andina de Cusco -a capital do antigo império inca-, começou a apresentar os planos do novo governo falando em quéchua e aimará, línguas ancestrais que ainda são faladas por cerca de cinco milhões de 33 milhões de peruanos e que também são idiomas oficiais do país, assim como o espanhol.

Isso levou Alva a interrompê-lo e pedir-lhe que falasse apenas em espanhol para que todos os 124 legisladores presentes pudessem entendê-lo.

"Isso é uma demonstração de que nosso país ainda não entendeu que há povos profundos que têm culturas, idiomas de diferentes setores", afirmou Bellido, que retomou sua fala em espanhol.

“Nosso governo não tenta copiar os modelos adotados em outros países”, disse Bellido em uma alusão tácita aos que os acusam de fazer parte do chamado “socialismo do século 21” da Venezuela e da Bolívia.

"Nossos objetivos imediatos são combater a pandemia de covid-19 e reativar nossa economia", acrescentou.

-Primeira baixa -

As disputas entre o novo governo e a oposição já custaram o cargo do ministro das Relações Exteriores, Héctor Béjar. Ele foi substituído por Óscar Maúrtua, diplomata de carreira sem laços com a esquerda que já havia ocupado o posto há 15 anos.

Os rivais de Castillo esperavam, no entanto, que ele fizesse mais mudanças em seu gabinete de 19 membros antes de se submeter ao voto de confiança - algo que o presidente rejeitou.

"O presidente Castillo percebe que ceder diante da oposição e pôr os ministros que eles querem seria uma fragilidade. Assim, não conseguiria governar", disse à AFP o analista político Hugo Otero.

O disputado segundo turno e os questionamentos a vários ministros têm aumentado a tensão, fazendo o dólar subir e a bolsa cair.

"Com ou sem voto de confiança, não muda de forma alguma a enorme preocupação do setor empresarial com a projeção econômica do Peru", disse à AFP o analista político Augusto Alvarez Rodrich.

Os novos gabinetes devem receber o voto de confiança do Congresso 30 dias após sua nomeação. Se for negado, Castillo terá que nomear outro primeiro-ministro e reformar o gabinete, o que prolongaria a incerteza.

O apoio a Castillo caiu para 38% em seu primeiro mês contra os 53% que tinha antes de assumir, em 28 de julho, segundo uma pesquisa recente.

Se os legisladores negarem duas vezes o voto de confiança a um mesmo governo, a Constituição faculta ao presidente dissolver o Congresso e convocar eleições legislativas extraordinárias.

A situação e seus aliados têm 57 votos, dos 66 necessários para confirmar o gabinete. Um número similar de parlamentares pretende negar a confiança, segundo a imprensa local. Por isso, a previsão é de uma votação apertada.

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