Gabinete de Castillo sobrevive ao conseguir voto de confiança no Congresso peruano

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O Congresso do Peru, dominado pela oposição de direita, concedeu nesta sexta-feira (27) um voto de confiança ao gabinete ministerial do novo presidente de esquerda Pedro Castillo, permitindo-lhe permanecer em funções.

Após um intenso debate iniciado na quinta-feira, o gabinete chefiado pelo engenheiro Guido Bellido obteve 73 votos a favor e 50 contra, sem abstenções. Precisava de 63 para sobreviver (dos 124 parlamentares presentes na sessão).

"Consequentemente, foi aprovada a questão da confiança", declarou a presidente do Congresso, a opositora María del Carmen Alva, após a votação.

Após superar o primeiro obstáculo do seu mandato, iniciado há um mês, Castillo agradeceu no Twitter ao Congresso e afirmou que "a busca de consensos nos permitirá governar juntamente com o povo e pelo desenvolvimento de políticas públicas em caráter social".

Se o voto tivesse sido rejeitado, Castillo teria tido que nomear outro primeiro-ministro, em substituição a Guido Bellido, e reformar o gabinete, o que teria atrasado sua agenda e aprofundado a incerteza existente no Peru desde o começo do ano.

Votaram contra principalmente as bancadas do partido ultraconservador Renovação Popular e Força Popular, partido de direita populista chefiado por Keiko Fujimori, a candidata derrotada por Castillo no segundo turno de 6 de junho.

No debate, o legislador fujimorista Eduardo Castillo tinha pedido votos contra alegando que aquele era "um gabinete altamente questionado, ligado a grupos de fachada [da derrotada guerrilha maoísta] do Sendero Luminoso", que semeou o terror no Peru entre 1980 e 2000.

Este tipo de afirmação contra Castillo e seus aliados foram frequentes durante toda a campanha eleitoral.

O tenso debate começou na quinta-feira pela manhã, depois que Bellido expôs no plenário os planos para um governo que assumiu há um mês, mas as sessão foi suspensa após 11 horas e retomada nesta sexta.

Bellido disse que os "objetivos imediatos são derrotar a pandemia provocada pela covid-19 e reativar nossa economia", sem mencionar a principal promessa eleitoral de Castillo de convocar uma assembleia constituinte, uma proposta à qual seus adversários resistem.

A incerteza sobre o gabinete afetou a economia, fazendo o dólar subir e a bolsa cair, após cinco anos de confrontos entre o Executivo e o Legislativo, que levaram o país a ter três presidentes em novembro de 2020.

- Evitar o confronto -

O analista Augusto Álvarez Rodrich tinha previsto que o governo venceria o teste.

"O governo tem os votos para obter a confiança", declarou à AFP o analista, explicando que o Congresso tentava evitar um confronto com o Executivo.

"O Congresso não quer dar ferramentas ao governo para que possa dissolvê-lo tão rápido, quando acaba de iniciar sua gestão de cinco anos", afirmou Álvarez Rodrich antes do debate.

Se os legisladores negam duas vezes o voto de confiança a um mesmo governo, a Constituição faculta ao presidente a dissolução do Congresso e a convocação de novas eleições legislativas.

As disputas entre o novo governo e a oposição custaram o cargo do chanceler Héctor Béjar há dez dias. Ele foi substituído por Óscar Maúrtua, um diplomata de carreira sem vínculos com a esquerda, que ocupou o cargo em 2006.

No entanto, os adversários de Castillo esperavam que ele fizesse mais mudanças em seu gabinete antes de se submeter ao voto de confiança, o que o presidente refutou. A própria nomeação de Bellido foi muito contestada pela oposição.

- Quéchua -

A presidente do Parlamento, a opositora María del Carmen Alva, anunciou no início da sessão nesta sexta-feira que seria possível falar em quéchua, pois haveria tradução simultânea para o espanhol.

Na véspera, ela interrompeu Bellido, pedindo-lhe que falasse exclusivamente em espanhol, quando ele iniciou sua exposição com saudações em quéchua e aimara.

Bellido continuou sua exposição em espanhol, mas lembrou que quéchua e aimara também são línguas oficiais no Peru.

Em sua exposição final no plenário nesta sexta, minutos antes da votação, Bellido fez uma nova saudação em quéchua e depois disse em espanhol: "Sou obrigado a reivindicar a todos eles [os povos originários do Peru], não importa o que aconteça no caminho".

O quéchua (ou quíchua) - língua dos antigos incas - e o aimara são falados cotidianamente por cinco milhões dos 33 milhões de peruanos.

fj/lda/mvv

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