Gabriel Boric, de esquerda, é eleito novo presidente do Chile

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Candidato de esquerda Gabriel Boric discursa após votação presidencial no Chile

Por Natalia A. Ramos Miranda e Fabian Cambero

SANTIAGO (Reuters) - O candidato de esquerda Gabriel Boric foi eleito presidente do Chile no segundo turno da eleição, neste domingo, em uma grande ressurreição da esquerda progressista no país, que tem estado em alta desde que amplas manifestações que varreram a nação andina há dois anos.

No centro da capital Santiago, apoiadores comemoravam, se abraçavam e balançavam bandeiras com a imagem de Boric e com o arco-íris que simboliza os grupos LGBTs que apoiaram suas políticas socialmente inclusivas, assim como seus planos de reformar o modelo econômico chileno voltado ao mercado.

"Conseguimos!", disse Paola Fernández, de 39 anos, enquanto chorava e abraçava sua filha, dizendo estar feliz por Boric ter políticas progressistas.

Com mais de 99% das urnas apuradas, Boric, de 35 anos e que lidera uma ampla coalizão de esquerda, tinha 55,86% dos votos, contra 44,14% do rival de extrema direita José Antonio Kast, que reconheceu a derrota.

"Acabo de falar com @gabrielboric e o parabenizei por seu grande triunfo. A partir de hoje ele é o presidente eleito do Chile e merece todo o nosso respeito e colaboração construtiva. O Chile vem sempre em primeiro lugar", disse Kast em sua conta no Twitter.

Os protestos de 2019 colocaram luz sobre as desigualdades sociais do país e levaram à eleição de uma assembleia para reescrever a Constituição.

"Serei o presidente de todos os chilenos", disse Boric em um telefonema com o atual presidente, Sebastián Piñera, de centro-direita, que deixará o cargo em março.

"QUERO MUDANÇA REAL"

Lucrecia Cornejo, uma costureira de 72 anos, apoiou a promessa de Boric de consertar as desigualdades nos setores de educação, aposentadorias e saúde.

"Quero igualdade, para que nós não sejamos, como eles nos chamam, 'os quebrados', mais justiça na educação, na saúde e nos salários", disse. "Quero mudança real."

Os chilenos se reuniram em seções eleitorais em todo o país desde as primeiras horas da manhã de domingo para decidir quem seria o próximo presidente em uma eleição polarizada, em que os dois candidatos ofereceram visões marcadamente diferentes do futuro. Kast, de 55 anos, fez uma campanha baseada na defesa da lei e da ordem e foi um defensor do ex-ditador chileno Augusto Pinochet.

Muitas vezes comparado ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro, Kast disse na campanha que dois modelos para o país se enfrentariam.

Depois do primeiro turno, ambos os candidatos suavizaram suas posições, tentaram construir pontes para o centro e acenaram para os milhares de eleitores que no primeiro turno votaram em outros candidatos, como o direitista moderado Sebastián Sichel, a democrata-cristã Yasna Provoste e o economista liberal Franco Parisi, entre outros.

Miguel Ángel López, professor da Universidade do Chile, disse que Boric terá uma tarefa complicada à frente e terá de negociar com a oposição devido a um Congresso dividido onde nenhum dos lados tem maioria.

"Ele agora tem de fazer um discurso forte onde tentará acabar com a incerteza. Muito depende disso, das nomeações que ele fará e das decisões que tomará. Investidores internacionais estarão muito atentos a isso", avaliou.

Apoiadores de Boric afirmam que ele irá reformar o modelo econômico chileno, que vem da época de Pinochet. Este modelo é elogiado por ter sido responsável por impulsionar o crescimento do país, ao mesmo tempo que é criticado por ter criado uma profunda divisão entre ricos e pobres.

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