Gabriel Monteiro: ex-vereador é transferido para presídio no Rio

O ex-vereador do Rio Gabriel Monteiro deixou por volta das 8h20 desta terça-feira a 77ª DP (Icaraí), em Niterói, para fazer o exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal, na capital. Depois disso, será encaminhado para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Monteiro estava na delegacia desde a última noite, quando se apresentou e foi preso, acusado de estuprar e agredir uma mulher na casa de um amigo no Joá, em 15 de julho deste ano. O processo corre em segredo de justiça.

A decisão partiu do juiz da 34ª Vara Criminal do Rio, Rudi Baldi Loewenkron, conforme antecipou o colunista Ancelmo Gois nesta segunda-feira. Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio à Justiça no fim de outubro, a mulher, de 22 anos, afirmou que Gabriel a forçou a manter relações sexuais, depois de lhe apontar uma arma, na casa de um amigo do ex-vereador no Joá.

O youtuber também teria tentado filmar a relação sexual, mas o celular estava descarregado. O ex-vereador teria se recusado a usar preservativo, segundo a denúncia. A mulher, por causa disso, diz que acabou contraindo HPV, uma IST (infecção sexualmente transmissível). Um laudo médico realizado após o episódio confirmou que a vítima tinha lesões nas partes íntimas.

A vítima conta que conheceu Gabriel na festa de reabertura de uma boate na Barra da Tijuca. Depois de se beijarem e trocarem carícias na boate, os dois seguiram para a casa desse amigo do ex-vereador. A mulher contou que, no carro, ficou sentada no colo do ex-vereador e Gabriel ficou tocando no seu corpo. Ela pediu que ele parasse, porque estava constrangida com a presença de outras pessoas no veículo — além da vítima e do youtuber, estavam no carro uma amiga da mulher e cinco seguranças de Gabriel. Segundo a denúncia, o ex-vereador atendeu o pedido.

No imóvel, a mulher foi levada por Gabriel até um quarto. Ao tentar deixar o cômodo, segundo a denúncia, Gabriel trancou a porta, retirou a arma da cintura e com ela acariciou o rosto da vítima.

"O denunciado a empurrou de forma violenta sobre a cama e começo a ter relação sexual de forma violenta, mesmo sem preservativo, mesmo após os apelos da vítima para que não mantivesse relações sem camisinha", diz um trecho da denúncia.

Durante a relação, a vítima teria levado vários tapas no rosto enquanto era obrigada a responder peguntas do ex-PM. Em um dos momentos, ele questionou se ela também manteria relações sexuais com um dos seguranças. Levou tapas ao responder afirmativamente e negativamente.

Segundo a denúncia, o estupro teria ocorrido na madrugada de 15 de julho, quando o youtuber ainda era vereador. Na ocasião, o Conselho de Ética já havia encerrado a tomada de depoimentos de testemunhas de defesa e de acusação no processo contra o político. Gabriel respondeu por quebra de decoro por ter filmado relações sexuais com uma adolescente de 15 anos e por expor duas crianças em situação de vulnerabilidade em produções que faz para suas redes sociais.

Num vídeo postado em seu perfil no Instagram após se entregar à polícia, Gabriel Monteiro disse que se apresentou na delegacia após saber do mandado: "Fiquei sabendo pela minha advogada que foi decretada minha prisão preventiva por um crime que eu não fui escutado na delegacia. Respeito as autoridades, por isso que eu estou vindo aqui. Não fui conduzido pela polícia. Assim que eu fiquei sabendo, vim imediatamente me entregar pra Justiça, porque eu acredito nela. Sei que minha inocência vai ficar comprovada, não só tecnicamente, mas para todo o Brasil, de forma de que fique incontestável qualquer acusação contra mim".

No início da noite, o advogado de Gabriel Monteiro, Sandro Figueiredo, levou à delegacia duas sacolas com comida e material de higiene, como um rolo de papel higiênico. É comum que familiares e advogados levem alimentos e outros produtos de uso pessoal para quem acabou de ser preso. Nesta segunda-feira, o advogado de Gabriel Monteiro disse desconhecer a acusação.

— Desconheço essa acusação de estupro . Até o momento Gabriel Monteiro não foi chamado para prestar qualquer esclarecimento sobre esses os fatos — disse Figueiredo.

No pedido de prisão, o promotor Marcos Kac, da 1ª Promotoria de Investigação Penal (PIP), afirma que "o réu foi denunciado pela prática de crime gravíssimo": "Verifica-se que o crime perpetrado pelo acusado causa enorme perplexidade na população geral e local, uma vez que se solto, o sentimento de existência de máquina estatal a impedir o cometimento de tal delito fica extremamente prejudicado".

Gabriel também era acusado de agressão a um morador de rua cometida por seu segurança durante uma dessas filmagens, segundo relatório do vereador Chico Alencar (PSOL).