Gabriel Monteiro responde a pelo menos mais três processos, sem relação com o que levou à sua prisão

A acusação de estupro que levou à prisão o ex-vereador e ex-policial militar, Gabriel Monteiro, no começo dessa semana, não tem relação com os casos que foram analisados pelo Conselho de Ética da Câmara do Rio, que em agosto pediu a cassação do mandato do então vereador. Além desse, ele responde a pelo menos mais três processos, que tramitam em sigilo de Justiça, por peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica, coação à testemunha e filmagens de relações sexuais com uma adolescente de 15 anos. E, em pelo menos dois há pedido de prisão pela Polícia Civil.

A acusação de peculato se refere à suspeita de desvio de R$ 422 mil dos cofres públicos. A quantia equivale aos salários pagos entre janeiro de 2021 e abril de 2022 para quatro ex-assessores. De acordo com a denúncia do Ministério Público, esses funcionários eram lotados na Câmara do Rio, mas na verdade trabalhavam na produção de vídeos para o canal do político no YouTube, monetizado por ele.

Em depoimento ao Conselho de Ética, três desses ex-assessores confirmaram não prestar serviço para o Legislativo, e sim para a produtora de vídeos. Também disseram que sequer pisavam no Palácio Pedro Ernesto. A mesma denúncia cita ainda outros dois ex-assessores de Monteiro. Eles são acusados de falsidade ideológica porque atestaram nos cartões de ponto que os quatro funcionários da produtora trabalhavam na Câmara Municipal.

O ex-vereador responde também por quebra de decoro por ter filmado relações sexuais com uma adolescente de 15 anos e por expor duas crianças em situação de vulnerabilidade em produções que faz para suas redes sociais. É acusado ainda de agressão a um morador de rua cometida por seu segurança durante uma dessas filmagens.

A acusação anterior de estupro foi feita este ano na 42ª DP (Recreio) —a mesma delegacia recebeu o registro que o levou à prisão —, mas teria ocorrido em 2018. Dias após o depoimento da vítima à polícia, o então vereador publicou um vídeo em suas redes sociais falando sobre o crime. Para o investigadores, a postagem foi uma “mensagem intimidativa” para assustar a denunciante. Ele usou na gravação uma pessoa fisicamente parecida com a vítima. Por isso, a polícia pediu a prisão de Monteiro por coação de testemunha.

A cassação saiu no dia 18 de agosto. Esse novo caso de estupro - que levou à sua prisão nessa semana - não chegou a ser investigado pelo Conselho de Ética da Câmara Municipal. Na data do ataque, que teria ocorrido em 15 de julho, já havia encerrado a tomada de depoimentos de testemunhas de defesa e de acusação no processo que levou ao afastamento do político do legislativo carioca.

Depois de perder o mandato, o Monteiro teve seu registro de candidatura para deputado federal indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Fora da disputa, o político alavancou a eleição do pai, Roberto Monteiro, a deputado federal, e a da irmã, Danielle Monteiro, a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio. Os dois saíram vitoriosos em outubro.

Enquanto isso, Gabriel Monteiro tenta na Justiça recuperar o seu mandato de vereador. Ele alega falha nos ritos processuais e cerceamento no direito de defesa. Sobre a nova acusação, gravou vídeo dizendo que vai provar sia inocência.

O ex-vereador teve a prisão preventiva decretada na última segunda e se entregou na 77ª DP (Icaraí). Depois de ser transferido para o presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio, foi levado na manhã desta quarta-feira para a Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, onde ficará sozinho numa cela de 6m²..