Gabriela Manssur: “Todos os casos começam com violência psicológica”

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Reprodução do Instagram
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Importante nome no combate à violência contra as mulheres, Gabriela Manssur, promotora de justiça de São Paulo, convidada especial do Yahoo Estilo e Vida, falou durante uma live sobre o assunto e destacou sobre os casos de violência que aumentaram durante a pandemia.

“Foi uma nova forma de encarar a violência contra a mulher, mas nada muito novo, há um tempo víamos a necessidade de acesso mais fácil das mulheres aos pedidos de ajuda, ao sistema de justiça, de proteção e acolhimento”, disse a promotora que embora tenha alguns canais já conhecidos, como denúncia através do número de telefone 180, delegacia, fórum, promotoria de justiça, redes sociais, as mulheres ainda encontram dificuldades para procurar ajuda.

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“Muitas mulheres me procuram pelo Instagram, quando eu atendi as primeiras vítimas do João de Deus, muitas delas mandaram através do e-mail institucional. Por essa questão da pandemia eu achei importante criar um canal de denúncia (Justiceiras Online) que pode ser feita pelo WhatsApp, porque celular todo mundo tem e é fácil”, comentou ela que conta com a ajuda de uma equipe de profissionais como: psicólogas, advogadas, médicas, assistentes sociais e mulheres de outras profissões. Dentro do canal de ajuda é possível ser voluntária.

As denúncias online evitam também uma série de constrangimentos que muitas vezes a vítima sofre quando é submetida a uma série de perguntas sobre a agressão, naturalizando a violência e culpando a vítima. “De certa forma esse tipo de denúncia impede que a mulher sofra de violência institucional de gênero, isso encurta o caminho da mulher ser descredibilizada, ser julgada, ser ridicularizada”, explicou.

Muitas mulheres que dependem não só financeiramente, mas emocionalmente dos parceiros, acabam deixando que uma situação de violência se torne corriqueira, tornando-se uma presa fácil para o agressor. “Todos os casos começam com uma violência psicológica, um relacionamento abusivo, uma culpa, você é exagerada, você é louca, ninguém gosta de você, fazendo a mulher se sentir louca e culpada, isso vai evoluindo, é uma manipulação”.

“Nós mulheres fomos construídas para agradar aos homens. É impressionante como é difícil desconstruir tudo aquilo que você foi criada, que é sempre a mulher ter que manter a família, que é sempre culpada por trabalhar muito, por ocupar um cargo de liderança, por ter autonomia, autoritária, mandona, ninguém gosta de mulher assim”, concluiu a promotora que acredita na importância da desconstrução diária.

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