Gal Costa deixa o filho, Gabriel, que definia como uma 'uma luz na minha vida'

A cantora Gal Costa, que morreu nesta quarta-feira (9), deixou um filho, Gabriel, de 16 anos. Gabriel foi adotado pela cantora quando tinha 2 anos de idade, depois de conhecê-lo num abrigo no Rio. A maternidade, segundo a cantora, mudou completamente sua vida.

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— Ele é um amor, uma luz na minha vida. Sempre me fez muito bem ficar perto dele. Agora... é um típico adolescente que fica no quarto trancado, jogando (risos). Eu faço tudo para ele e por ele e agora quero ser avó. Gabriel será um ótimo pai— disse, em entrevista ao GLOBO em 2021.

Na mesma entrevista, Gal afirmou que o sonho de sua vida sempre foi ser mãe. Revelou, inclusive que tentou ter um bebê com Milton Nascimento.

— Mas me lembro que me oferecia para ter filho com todo mundo (risos)... Porque o sonho da minha vida era ter um filho. E eu não engravidava. Minha mãe falava "Gracinha", ela me chamava assim, "adote uma criança". Mas achava que filho tinha que ser parido. Hoje, sei que filho é amor. Eu e Bituca (Milton Nascimento) tínhamos um projeto de ter um filho juntos. Olha só, que oferecida eu era... (risos). Mas era por causa das nossas vozes. Achávamos que um filho nosso teria uma voz especial. Quando eu estava com o Marco Pereira (violonista com quem ficou casada), a gente tentou ter um filho e fui averiguar... Tive uma menopausa precoce (aos 42 anos), não tava ovulando mais...

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Gal, que foi criada apenas pela mãe e não teve relação com o pai, falou ainda sobre essa semelhança ao criar o próprio filho sozinha.

— É muito parecido. A gente acaba se tornando parecido com nossos pais... Minha mãe tinha muita confiança em mim. Não brigava, não era castradora. Eu sou a mesma coisa com o Gabriel. Sou permissiva, no bom sentido, converso sobre tudo, principalmente sobre drogas, me preocupo muito com isso. Temos uma relação de confiança, saudável.

A artista afirmou ainda que não se sentia com a idade que tinha. Ela havia completado 75 anos.

— Mas esqueço que tenho isso tudo. Na cabeça, não me sinto com 75. Gabriel diz: "Mãe, você não tem essa idade toda, você sobe escada!". Subo mesmo, como se tivesse 40. Acho que é porque malhei a vida toda, religiosamente. Hoje, não mais, mas meu corpo tem memória, minha musculatura ficou.

Por fim, ela refletiu sobre o passado e disse que sentia-se satisfeita com a sua trajetória:

— Não fico presa ao passado, mas penso. Olho o passado com uma visão crítica da história que construí. A gente sempre acha que poderia ter feito uma coisa ou outra diferente. Não falo de algo, assim, especificamente. No geral, olho para trás e gosto do que vejo.