Gal Costa lembra comportamento libertário, revela que planejou filho com Milton Nascimento e fala sobre a vontade de ser avó

Maria Fortuna
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Pode até parecer uma contradição Gal Costa batizar seu disco de "Nenhuma dor" neste momento de tanta tristeza por causa da pandemia de coronavírus. Mas é uma questão diante da vida. O título reproduz o nome da canção de Caetano Veloso (com poema de Torquato Neto), que a cantora gravou com ele no disco "Domingo" (de 1967) e que agora ressurge no novo álbum, em dueto com Zeca Veloso. Um trecho resume tanto a mensagem que Gal deseja passar agora para um público abatido pelo baixo astral da tragédia sanitária, quanto funciona como um mantra para aplacar a "ansiedade" com a qual ela espera sua a vez na fila da vacina: "Seguirmos firmes na estrada/ Que leva nenhuma dor".

- A ideia é essa: todo mundo ficar forte porque, no final do túnel, quando tudo passar, vai ser um alívio. Voltaremos a ser felizes - acredita Gal, que lança nesta sexta (12) o novo trabalho, composto de regravações de dez músicas de seu repertório. - Estamos precisando dessas referências para lembrar um tempo bom, em que a vida era melhor. Tipo: "Eu era feliz e não sabia".

Com o projeto, ela celebra 75 anos de idade e 55 de carreira. Nesta viagem, divide o microfone com vozes masculinas como Tim Bernardes (“Baby”), Silva (“Só louco”), Criolo (“Paula e Bebeto”), Jorge Drexler (“Negro amor”), Rubel (“Coração vagabundo”) e Seu Jorge (“Juventude transviada”).

Da casa em que mora com o filho, Gabriel, e os golden retrieves Sadi e Rob, Gal conversou com O GLOBO. Lembrou o comportamento livre ("fui libertadora, vivi a vida em que acreditava"), criticou o conservadorismo ("a sociedade sempre foi careta") e revelou que teve planos de ter um filho com Milton Nascimento ("achavamos que nasceria uma voz linda"). A cantora também contou que tem vontade de ser avó ("quero um netinho porque o Gabriel vai ser um ótimo pai") e afirmou que "é preciso se posicionar diante da burrice de quem é contra a vacina".

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