Ganhadora do Nobel produz peça de teatro sobre Trump

(2004) A escritora austríaca Elfriede Jelinek

A escritora austríaca Elfriede Jelinek, prêmio Nobel de Literatura em 2004, escreveu em algumas semanas uma peça de teatro sobre a eleição de Donald Trump que foi lida pela primeira vez nesta segunda-feira, em Nova York.

"On the Royal Road: The Burgher King" (No caminho real: o rei burguês) busca dar sentido à eleição, tentando compreender quem é Donald Trump e o que revela da sociedade.

Em linha com a obra de Elfriede Jelinek, a peça é extremamente densa, escrita em uma língua onde cada palavra e cada frase aparecem como a parte essencial de um todo, de um quebra-cabeças.

"Na primeira vez em que li o texto tive a impressão de ver uma pintura abstrata", explicou a atriz Masha Dakic, que leu sozinha a obra na segunda-feira.

O personagem principal se apresenta com as características da marionete Miss Piggy, dos Muppets.

Mas, nesse caso, ela é cega e tem os olhos com sangue, e se pergunta sobre as facetas de quem chama de "rei", Donald Trump.

Trump destruiu o passado, confiscou o futuro para levar tudo ao presente - ao mundo dos tuítes que ele gosta tanto, declarou Jelinek.

O diretor desta obra no pequeno teatro Martin Segal da universidade pública de Nova York (CUNY), Stefan Dzeparoski, montou a peça em segmentos curtos, como sobressaltos, "alertas da atualidade", explicou à AFP.

"Tudo tem este ritmo contundente que te priva de um momento para refletir", acrescentou.

Brutal, onipotente, mas também incapturável, a eleição de Donald Trump lembra a ascensão do nazismo, explicou Gitta Honegger, que traduziu a obra do alemão ao inglês.

Observa os intelectuais "que pensavam que não era possível que alguém com tal pensamento, comportamento e vacuidade pudesse se tornar presidente".

"Se tivesse que dizer de que a obra fala, seria: como entender Trump?".

"Não podemos entender a estupidez", declara Elfriede Jelinek em uma entrevista que será publicada pela revista americana Theater, onde um trecho da obra também será divulgado.

A autora, cujo livro mais conhecido, adaptado ao cinema pelo seu compatriota Michael Hanek, é "O Pianista", não viajou a Nova York.