‘Ganhar o Estandarte é uma Glória’

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Posso falar sobre as 50 edições do Estandarte de Ouro e a importância desse prêmio a partir da minha vivência como premiada e julgadora. Ganhar o Estandarte é uma glória para quem atua no mundo do samba, no Rio e em todo Brasil. Francamente, não conhecia o prêmio quando, em 1976, fui carnavalesca da União da Ilha do Governador com o enredo “Poemas de máscaras e sonhos”, sobre Menotti Del Picchia, poeta paulista. A ala dos estudantes com uma ótima evolução e uma fantasia de pierrô ganhou o primeiro Estandarte para a escola. Um luxo. Comecei, então, a sentir o que é ter um Estandarte. Também para a Ilha, fiz o enredo “Domingo”, em 1977. Foi um desfile inesquecível, com o sol nascendo por trás da Igreja da Candelária. A escola ganhou o Estandarte de Ouro principal daquele ano, e eu o de personalidade. Foi a nossa consagração.

A União da Ilha apareceu com o meu trabalho, e eu apareci com o enredo da Ilha. Comecei a trabalhar em 1968 na Acadêmicos do Salgueiro, na equipe de Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona. Os trabalhos eram sempre feitos em conjunto. Nessa época, surgiram as primeiras comissões de carnaval, que dizem hoje serem recentes.

Ser do Estandarte de Ouro é uma agradável e imensa responsabilidade. Em 1979, fui chamada para participar da equipe de transmissão da TV Globo. E, no ano seguinte, me convidaram para o júri do Estandarte de Ouro.

Desde o início, em 1972, nosso júri é constituído por pessoas apaixonadas pelas escolas de samba. Considero isso fundamental. São pessoas que desempenham atividades diferenciadas, mas todas pertencentes ao mundo do samba. São jornalistas, escritores, compositores, pesquisadores, cantores, radialistas, produtores musicais... Entre os jurados, só eu e Mestre Odilon temos Estandarte de Ouro. Isso aumenta a nossa responsabilidade, que já é grande.

A formação dos jurados acontece a partir da sua atividade profissional e do intercâmbio dos trabalhos dentro do júri, durante os debates e julgamentos aos longo dos anos. Os julgamentos têm uma estrutura muito democrática. Cada escola e cada quesito tem um relator, que indica o que ele considera melhor. Mas todos nós, jurados, podemos indicar também possíveis premiados. Aí acontece um debate, quase sempre caloroso, e as escolhas são definidas por meio de votações. O resultado final é por maioria.

Vocês podem ter certeza que quem já conquistou um Estandarte de Ouro ganhou o prêmio com muito mérito e em meio a forte competição. E, ao longo do tempo, nós temos tido conhecimento de que ganhar um Estandarte muda a vida, muda a carreira de um sambista. O júri vem descobrindo e afirmando talentos e identidades nas diversas atividades que constroem um desfile de escola de samba.

Desde o seu começo, o júri vem sendo forjado através de mulheres e homens preocupados em incentivar novos sambistas qualificados. Ao longo dessas 50 edições, o desejo, o sonho e a busca pela realização estimulam a apresentação desses sambistas, tendo como objetivo a consagração com o Estandarte de Ouro. Penso que falo em nome de todos os jurados, e agradeço por participar desse júri de amigos, que constitui uma verdadeira família.

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