Gari morto em Vicente de Carvalho fez oração com colegas na rua em que foi atingido por bala perdida

Isabela Aleixo

O gari Franciso Paulo da Silva, de 61 anos, reuniu os colegas da Comlurb da gerência de Irajá, onde trabalhava, para uma oração na Rua Cambuci do Vale momentos antes de ser baleado na manhã desta quarta-feira. O gerente da área, Carlos Alberto Bezerra, convivia com Francisco há quatro anos e o descreve como uma pessoa de muita fé:

— Era um ótimo trabalhador. Um cara que sempre retribuiu os trabalhadores com a religião dele. Trabalhava o dia inteiro cantando hino de igreja — conta o gerente.

Francisco morreu depois de ser atingido por uma bala perdida às 11h45. No momento em que foi baleado, ele fazia serviço de capinagem. De acordo com a Comlurb, ele foi levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos. O gari trabalhava na empresa há 21 anos, era casado e deixa um filho de 18 anos.

A polícia civil informou que instaurou inquérito na Delegacia de Homicídios para apurar a morte do gari e que a investigação está em andamento. A polícia militar afirmou que Francisco deu entrada no hospital atingido por uma bala perdida na cabeça e que foi socorrido por moradores. A PM informou também que não realizou operação na Comunidade do Juramento esta manhã.

Segundo a TV Globo, Francisco foi baleado durante um assalto a Mateus Fernandes Félix da Silva, que teve a moto roubada e também foi atingido. De acordo com a PM, Mateus ainda está internado no hospital.

Em junho deste ano, outro gari foi vítima de bala perdida na mesma rua em uma perseguição policial. O funcionário da Comlurb, que não teve a identidade revelada, foi atingido de raspão no braço enquanto fazia coleta de lixo na região. Ele foi atendido no Hospital Getúlio Vargas e liberado.

Em menos de 24 horas, Francisco é a terceira vítima de bala perdida. Pela madrugada, a menina Ketellen Umbelino de Oliveira Gomes, de 5 anos, morreu no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. Ela foi baleada na perna próxima à escola onde estudava em uma suposta execução de um adolescente envolvido com o tráfico por milicianos na Praça da Cohab, em Realengo, nesta terça-feira. Na manhã desta segunda-feira, uma mulher identificada como Claudia Parreira Santos, 49 anos, segundo o G1, também atingida na perna esquerda durante um tiroteio no Jacarezinho, na manhã desta segunda-feira.