Garimpeiro alvo da PF tinha mansão com heliponto e casou ao som de Bruno e Marrone

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O empresário Márcio Macedo Sobrinho, sócio da Gana Gold, atual M.M Gold, empresa investigada pela Polícia Federal por garimpo ilegal na região Norte do país, esbanjava uma vida de luxo.

Fotos, trocas de mensagens e documentos amealhados pela PF na operação Ganância, deflagrada na quinta (7), mostram movimentações milionárias em suas contas e gastos com helicópteros, lanchas, caminhonete importada e uma festa de casamento embalada ao som de duplas sertanejas famosas.

Relatório da PF expõe a movimentação financeira de Macedo e de seu grupo empresarial e mostra que, entre os anos de 2020 e 2021, a exploração ilegal de ouro rendeu cerca de R$ 1,1 bilhão ao garimpeiro.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a PF afirma que o grupo empresarial liderado por Macedo é suspeito de garimpo ilegal de ouro e teria movimentado cerca de R$ 16 bilhões entre 2019 e 2021. Parte dos valores proveniente do garimpo teria sido lavada em criptomoedas.

A empresa Gana Gold, de acordo com a investigação, "esquentava" o ouro extraído ilegalmente em garimpos da região Norte do país. Para isso, ela se valia de licenças ambientais inválidas, extrapolando os limites de pesquisa que possuía.

A empresa não foi encontrada pela reportagem para comentar as acusações.

Em um documento anexado ao pedido de buscas e prisões, a PF detalha por meio de fotos como o empresário gastava parte do dinheiro oriundo do garimpo ilegal.

O casamento de Macedo, por exemplo, teve duas duplas sertanejas famosas como atração. Bruno e Marrone, dos clássicos Dormi na Praça e Choram as Rosas, e Jads e Jadson cantaram no evento.

"De acordo com sites abertos, o cachê da primeira dupla é de aproximadamente R$ 220 mil e o da segunda chega a R$ 80 mil, valores elevados gastos apenas com as bandas do casamento", diz a PF.

Os investigadores também elencam no documento fotos de bens de luxo de Macedo, todos com um adesivo com sua logomarca particular: a MM, iniciais do seu nome.

Entre as fotos juntadas no relatório pelos investigadores estão uma lancha com o nome "Garimpeiro", caminhonete importada, helicóptero e aviões.

Outro bem que a PF aponta para a vida de luxo de Macedo é a mansão em Novo Progresso (PA).

"Chama a atenção a ostentação da residência de Márcio no Município de Novo Progresso/PA, de onde gerencia toda a estrutura de seus garimpos ilegais no estado, totalmente destoante dos demais imóveis da região, sobretudo por contar com heliporto próprio no imóvel."

O garimpeiro também teve uma conversa interceptada em que relata a intenção de construir uma nova mansão, essa em Goiânia (GO).

Na futura residência, Macedo tinha intenção de construir um heliponto. "Se não for pra ter um heliponto o que que compensa eu investir num lugar desse? Eu já sou acostumado com helicóptero. Tenho dois helicópteros, entendeu?", disse à interlocutora de nome Priscilla.

Em seguida, ele explica que o objetivo era construir outra mansão nos moldes da que mantém em Novo Progresso.

"Priscila, eu vou fazer uma casa, uma mansão boa mesmo, entendeu? Tecnologia, design moderno, usando madeira, entendeu? É porque você não foi na minha casa lá de Progresso, né? Eu gosto de trem um pouquinho rústico também."

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