Garimpeiros detidos após invasão à terra indígena no Pará são liberados pela polícia

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Os garimpeiros detidos por invasão à terra indígena Xipaya, no Pará, foram soltos pela Polícia Federal na tarde de domingo, um dia após a operação que culminou nas apreensões. Enquanto isso, lideranças indígenas, que denunciaram a situação, relatam medo com a possibilidade de conflitos e de represálias.

Na última quinta-feira (14), foi revelada a chegada de garimpeiros à aldeia, onde moram cerca de 200 pessoas, em uma balsa pelo Rio Iriri, com grande quantidade de equipamentos de dragagem pra extração ilegal de ouro. No sábado, uma operação que envolveu a Polícia Federal, a Força Nacional, o Ibama, a Funai e a Polícia Militar do Pará conseguiu localizar os suspeitos, e seus equipamentos foram apreendidos, incluindo a balsa.

No domingo, porém, os sete garimpeiros detidos, sendo dois adolescentes, foram liberados. Segundo os indígenas, os agentes da Polícia Federal teriam informado que não haveria estrutura de logística disponível para levar os suspeitos até a delegacia de Altamira, a 400 quilômetros de distância, em até 24 horas, período em que se aceita prisões em flagrante.

Assim, eles foram soltos dentro da própria área ambiental em que foram encontrados. Procurada, a Polícia Federal não se manifestou.

— A gente pede urgência dos órgãos competentes para a retirada dos garimpeiros — afirmou a liderança indígena Juma Xipaya, que teme o que pode acontecer nos próximos dias. — Os riscos de confrontos são iminentes. E as comunidades estão aflitas, inseguras. Estamos com medo de represálias.

Ainda no domingo, a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas na Câmara dos Deputados, liderada pela deputada indígena Joênia Wapichana (Rede/RR), enviou uma carta ao ministro da Justiça Anderson Torres e à direção da Polícia Federal. No texto, os parlamentares agradecem a agilidade para a deflagração da operação, mas expressam preocupação com a soltura dos suspeitos.

" Solicitamos que os criminosos sejam escoltados pelas forças policiais visando, principalmente, a garantia de que os mesmos não permanecerão dentro da Terra Indígena Xipaia ou na Reserva Extrativista do Rio Iriri. Face ao exposto requeremos medidas cabíveis para resguardar a proteção da Terra Indígena e a integridade física do povo Xipaia. Além disso, destacamos a importância da continuidade da Operação dos órgãos ambientais naquela região e que não tenha a impunidade relacionada ao presente caso", diz a carta.

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