Garimpeiros na Amazônia trocam áudios para planejar tocaia contra polícia

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An aerial view shows hundreds of dredging rafts operated by illegal miners who have gathered in a gold rush on the Madeira, a major tributary of the Amazon river, in Autazes, Amazonas state, Brazil November 23, 2021. Picture taken November 23, 2021. REUTERS/Bruno Kelly
Vista aérea das balsas de garimpo ilegal no rio Madeira. Foto: REUTERS/Bruno Kelly.
  • Grupo quer barrar fiscalização da Polícia Federal, Marinha e Ibama

  • 'Deixa a balsa bem pertinho da beira e larga bala', diz um

  • Outros defendem criar barricada

Os garimpeiros que ocupam com balsas ilegais um trecho do rio Madeira, localizado em frente à Vila de Rosarinho, em Autazes (AM), têm trocado informações sobre a operação em curso para combater a exploração e orquestrado uma reação.

Nesta quinta-feira (25), os garimpeiros trocaram áudios que defendem a armação de tocaias na floresta para surpreender a fiscalização. Segundo os áudios obtidos pelo Estadão, eles pretendem “largar bala” nos agentes.

"Meu amigo, se você for contar, tem mais garimpeiro que polícia em todo canto, entendeu? Se vocês ficarem entocados dentro de uma mata dessa aí, um lá na ponta, outro aqui. Se eles começarem, vocês largam bala, entendeu? Deixa a balsa bem pertinho da beira e larga bala", diz um.

Um garimpeiro responde concordando. "É verdade. Se nós juntarmos todo o mundo, nós combatemos."

"Meu parceiro, o tanto de garimpeiro que tem, mano... Pode vir o comboio, pode vir o c* pra cima, que não dá conta, não. Nós temos que fazer é juntar os garimpeiros de todas as comunidades e ir para cima”, continua.

O vice-presidente Hamilton Mourão anunciou, nesta quinta-feira (25), que a Polícia Federal e a Marinha foram acionadas para combater a ocupação do rio Madeira pelo garimpo.

Mourão é natural de Humaitá (AM), onde também percorre o rio Madeira, disse que balsas de garimpo ilegal ocupam o local há décadas. "Isso ocorre todos os anos. Normalmente, eles ficam ali na região de Humaitá. Esse ano deve ter aparecido ouro mais para cima, lá perto de Autazes. E eles se concentraram lá", reconheceu.

Um outro garimpeiro sugeriu, em áudio, que o grupo monte um “paredão” de balsas para reagir às autoridades. "Vocês que têm muita balsa aí, (tem que) fazer um paredão mesmo daqueles e esperar todo mundo aí na frente da balsa. Um atrás, um na frente e ver o que é que dá. Eles vão respeitar, entendeu?".

Até agora, não foi possível precisar o número de balsas no local. No começo, a estimativa era de 600 embarcações, enquanto imagens aéreas permitem contar ao menos 300 balsas ilegais.

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