Garota prodígio da periferia, Tabata Amaral é a 6ª deputada federal mais votada em SP

RAQUEL LANDIM
Reprodução/Facebook

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nascida na periferia de São Paulo, a jovem Tabata Amaral, 24, fez o caminho inverso do que sonham milhares de jovens brasileiros. Formada pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, voltou ao país para se dedicar à política. 

Neste domingo (7), 264.450 eleitores acreditaram no sonho dessa jovem, que quer mudar a educação no Brasil através de uma melhor gestão pública, e a tornaram a sexta deputada federal mais votada do estado.

Ela e Sâmia Bonfim, do PSOL, são os únicos nomes de "esquerda" entre os dez deputados mais bem colocados em São Paulo. O campeão de votos foi Eduardo Bolsonaro, filho do candidato Jair Bolsonaro (PSL), seguido pela jornalista Joice Hasselmann, também apoiada por ele.

Ainda fazem parte da lista o ex-radialista Celso Russomanno, Kim Kataguiri, líder do movimento de direita MBL, a policial Katia Sastre, conhecida por ter matado um bandido na porta de uma escola, José Augusto Rosa, o "Capitão Augusto" e o pastor Marco Feliciano.

Tabata disse à reportagem que já imaginava que encontraria um Congresso mais conservador, mas que sua meta será, sem abrir mão de seus princípios, encontrar um caminho para o diálogo.

"Meu desafio vai ser ir além dessa polarização, conversar com todos no Congresso -a direita e a esquerda- e com a sociedade civil. Esse Congresso polarizado reflete a sociedade brasileira e não podemos ignorar isso", afirmou.

Tabata nasceu na Vila Missionária, bairro pobre da zona Sul de São Paulo. É filha de uma diarista e de um cobrador de ônibus. Desde os 12 anos, colecionou mais de 30 medalhas de concursos de matemática, física, química, informática, astronomia, robótica e linguística.

Seu desempenho escolar na área de exatas atraiu a atenção de uma escola particular de São Paulo, que ofereceu bolsa para que ela cursasse o ensino médio e se preparasse para entrar na universidade.

A jovem também estudou inglês com ajuda de outras instituições e, graças a sua trajetória de superação, foi aceita na prestigiosa Universidade de Harvard, uma das melhores do mundo. Quase não embarcou, porque perdeu o pai para as drogas poucos dias antes, mas decidiu seguir em frente.

Em Harvard, formou-se em astrofísica, mas também em ciências políticas. Decidiu então voltar ao Brasil para tentar mudar o futuro de jovens carentes como ela através da educação.

É fundadora da organização não governamental Mapa Educação e faz parte do Acredito, movimento para formar novas lideranças políticas.

Tabata hesitou em se candidatar e, em junho deste ano, disse à Folha de S.Paulo que ainda não havia se decidido, porque "campanhas são muito caras, não tenho patrocínio e preciso pensar na minha família primeiro".

Sua campanha acabou custeada por mais de 400 doadores já que, seguindo as regras do movimento Acredito, ninguém poderia doar mais que 10% do total, para evitar suspeitas de qualquer comprometimento do candidato.

Também contou com forte mobilização das redes sociais. Por causa disso, Tabata se disse "muito feliz e atordoada" com o resultado, mas que já projetava que teria um bom desempenho

Mesmo com poucos recursos, mais uma vez, a jovem foi longe. No ano que vem, estará em Brasília, no Congresso Nacional, para tentar colocar seus sonhos em prática. Tabata quer fazer parte da comissão de educação da Câmara e promete iniciar o mandato tratando de três temas: os financiamentos do Fundeb, a carreira do professor e a reforma do ensino médio.