De garota de programa a Maria Madalena, Day Mesquita mostra sua versatilidade na TV

Isabella Cardoso

Assim como outros folhetins, “Amor sem igual’’, da Record, teve suas gravações paralisadas por conta do coronavírus e deu lugar a uma edição especial de “Apocalipse”. Mas na primeira fase da trama, Day Mesquita brilhou com a personagem Poderosa. A paranaense, de 34 anos, festeja a boa fase na carreira, já que protagonizou pela segunda vez uma novela, dez anos depois de “Vende-se um véu de noiva’’ (2009), no SBT. Apesar da pausa na história da garota de programa, a atriz não está longe dos olhos do público. Ela voltou a aparecer nas telinhas em “Jesus’’, onde vive Maria Madalena. Mesmo com o sucesso da personagem bíblica, Day conta que Poderosa trouxe o maior retorno de público de sua carreira até hoje:

— É uma delícia. Pelas redes sociais, todo mundo comenta. E na rua também. Vira e mexe, alguém me grita “Poderosa!”. Minhas amigas até brincam que sou metida porque me chamam assim e olho. Eu me divirto!

A figura interpretada por Day em “Amor sem igual’’ foi complexa: uma prostituta-mocinha. Apesar de uma vida cheia de sofrimentos, Poderosa tomou a decisão de não se abater. A atriz frisa que o desafio foi encontrar o tom certo da personagem.

— Comecei a pensá-la de uma forma mais dramática, mas o foco era não ir para esse lado pesado e sim para a comédia romântica. Eu sabia que teria que encontrar a leveza nas palavras tristes dela — explica a bela, que assume admirar a personagem: — Ela não se lamenta e nem fica no negativismo. Poderosa levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

Ser protagonista fez a atriz encarar um ritmo intenso de gravações antes da pausa da novela. Ela conta que ser Poderosa “quase o tempo inteiro’’ a fez sempre manter essa postura positiva.

— Aí, a vida vai em outra direção. Acredito que se nossas atitudes e pensamentos tiverem sempre no positivo, a gente atrai coisas boas.

Nascida no Paraná e criada em São Paulo, Day cresceu numa família de classe média baixa e era professora de balé antes de seguir o sonho de ser atriz. A ruiva lembra que os pais tiveram receio dessa carreira, e ela chegou a se inscrever num curso técnico na área de turismo. Mas, uma semana depois, decidiu dar uma oportunidade ao seu desejo de fazer teatro. E deu certo.

— Minha mãe me incentiva muito, mas também é crítica, não passa a mão na minha cabeça. Se não tá bom, ela fala que não gostou muito. Já meu pai faleceu no comecinho da segunda novela que eu fiz, a primeira que eu protagonizei. Ele conseguiu acompanhar o comecinho da minha carreira e já tinha muito orgulho.

Entre altos e baixos

Ao rever sua trajetória, Day lembra que o sucesso não veio fácil. A atriz conta que já passou por muitos altos e baixos na carreira desde que veio para o Rio, há 8 anos.

— Vim morar no Rio, fiz duas novelas aqui, e aí começou um período em que as contas chegavam e nada acontecia. Nem sempre as coisas são fáceis na vida. Quando começou a complicar mais, até pensei: “Será que é isso mesmo?”. Cheguei a cogitar voltar para São Paulo ou trabalhar em um shopping — recorda ela, que depois viu sua carreira começar a se estabilizar: — No fundo, eu sempre soube que conseguiria, não tinha dúvidas. Pensava que coisas legais estavam me aguardando e aconteceriam na hora certa. Era só eu me acalmar e continuar fazendo meu trabalho.