Garoto que pediu coração novo para o Papai Noel realiza transplante

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Garoto natural do Espírito Santo foi transferido para São Paulo em novembro. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Garoto natural do Espírito Santo foi transferido para São Paulo em novembro. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
  • Menino teve sintomas de virose antes de receber primeiro atendimento

  • Cirurgia foi realizada no Hospital Albert Einstein em parceria com SUS

  • Foi o primeiro procedimento do tipo na instituição

O menino Gladson Garcia Silva, de 8 anos, estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, quando escreveu, em dezembro do ano passado, uma carta ao Papai Noel pedindo um coração novo, um boneco do Superman, um carrinho de controle remoto e um dinossauro. Poucos dias depois, seu pedido foi atendido e o garoto recebeu um novo coração.

Gladson sofria de uma miocardiopatia. Este foi o primeiro transplante cardíaco infantil realizado naquele hospital. Foi também o primeiro procedimento do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), uma parceria entre seis hospitais de referência no Brasil e o Ministério da Saúde.

O menino foi diagnosticado com a doença em outubro. “Descobri da pior forma possível, meu filho podia ter morrido dentro de casa”, disse a mãe de Gladson, Ana Camila da Silva, de 31 anos, ao portal G1.

Segundo ela, os primeiros sintomas do filho lembravam uma virose, com vômitos e dor de barriga. A família vive em São Mateus, no Espírito Santo, e foi lá que o garoto passou pelos primeiros atendimentos e exames, até ser diagnosticado com a doença incurável em um hospital na capital Vitória.

O menino foi transferido para São Paulo no dia 16 de novembro, em uma UTI móvel, onde ficou à espera do transplante. De acordo com o cardiologista do Einstein, Gustavo Foronda, que falou ao portal G1, é difícil conseguir doadores de órgãos infantis, pois as famílias estão muito sensibilizadas no momento do óbito.

“O que a gente tem realmente dificuldade no transplante cardíaco infantil são os doadores, em conseguir o órgão. Culturalmente, uma criança doar um órgão é emocionalmente difícil para a família que acabou de perder o filho, ter essa ideia de doar”, explicou.

O médico conseguiu um coração para o garoto em 11 de dezembro, e no mesmo dia a cirurgia foi realizada. Gladson recebeu alta do hospital em 10 de janeiro e foi transferido para a Casa do Coração, uma associação de assistência a crianças e adolescentes cardíacos e transplantados.

“Agora ele está doidinho para andar por São Paulo inteiro, quer ir no zoológico, quer ir ao shopping. Passear mesmo, quer ir à praia. E quer muito ver os irmãos”, disse a mãe.

Para o médico, além de salvar a vida de Gladson, a cirurgia é um sucesso para o sistema público de saúde.

“Tanto para o Einstein quanto para o Proadi-SUS, a partir do momento que a gente faz um procedimento com sucesso como foi feito o do Gladson, isso começa a abrir portas para outras instituições aprenderem com a gente o modo de realização do procedimento. Conseguimos ampliar e difundir esse conhecimento”, afirmou.

“Fiquei superfeliz, muito agradecida. Que através do meu filho, outras crianças possam ser beneficiadas e ajudadas”, declarou Ana. Para a família de Gladson, era imprescindível que a cirurgia fosse feita pelo SUS, já que eles não tinham condições financeiras de arcar com os custos.

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