Gás fica 20% mais caro em um ano e pesa mais que conta de luz

Especialistas apontam que a situação não deve melhorar em breve (Getty Images)
Especialistas apontam que a situação não deve melhorar em breve

(Getty Images)

  • Gás de cozinha pesa mais para os brasileiros do que a conta de luz;

  • Alta no gás encanado e de botijão corresponde a mais que o dobro da inflação;

  • Uma fonte do setor acredita que a Petrobras deve tomar uma atitude em breve.

O gás de cozinha superou a conta de luz e se tornou o novo vilão do orçamento do brasileiro. Nos últimos 12 meses, o preço do gás encanado subiu 26,29%, enquanto o gás de botijão ficou 21,36% mais caro. Em ambos os casos, a alta corresponde a mais que o dobro da inflação, de 10,07%.

Entre janeiro e julho, as vendas do gás de botijão caíram 4%, segundo o Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo). Apesar do limite no ICMS – que ajudou a aliviar as pressões sobre o diesel e gasolina – o impacto no gás não foi tão significativo.

“A questão fiscal teve impacto, mas não é comparável com diesel e gasolina. A alíquota do GLP (gás liquefeito de petróleo) no Rio já estava em 12%, portanto, não afetou tanto o produto. Na média, o impacto da redução do ICMS no GLP foi de queda de R$ 2,50 a R$ 2,60 por botijão”, afirma Sérgio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás, à Agência O Globo.

Uma fonte do setor ouvida pelo portal aposta que, nos próximos dias, a Petrobras deve anunciar uma diminuição no preço do gás, que pode variar de 5% a 12%. Só em agosto, a estatal fez duas reduções no preço do diesel e uma no da gasolina.

Luz x gás

Devido à maior seca em 90 anos, as contas de luz de 2021 foram às alturas, especialmente por conta dos aumentos nas bandeiras tarifárias. A trégua só ocorreu neste ano por conta do aumento do volume das chuvas e da imposição do limite do ICMS, que também abrangeu a energia elétrica. Em 12 meses, a queda foi de 10,77%.

Quem se preparou para enfrentar as altas na conta de luz acabou não obtendo sucesso. É o caso dos donos do restaurante Tasca Miúda, na Zona Sul do Rio de Janeiro. No ano passado, os sócios fizeram um grande investimento para trocar os equipamentos elétricos por modelos a gás, mas não esperavam que a situação se invertesse neste ano com a eletricidade ficando mais em conta que a segunda alternativa.

“Geralmente, os fornos e fritadeiras a gás ficam entre 10% e 20% mais caros que os equipamentos elétricos, que vendemos em 2021. Ainda estamos pagando o que foi investido e não estamos vendo a economia esperada”, lamentou o sócio André Korenblum.

Na casa da professora Sibele Goulart, a saída tem sido tomar banhos curtos e apostar nas receitas com air fryer. “Às vezes, tenho a sensação de que se tivesse fogão a indução gastaria menos que com o fogão a gás, cuja conta saiu por R$ 240 este mês. No fim do ano passado, ficava entre R$ 60 e R$ 80”, afirma ao portal. A fins comparativos, a conta de luz tem vindo entre R$ 80 e R$ 100.

A situação, no entanto, não deve melhorar em breve. Após as sanções impostas à Rússia, o presidente Vladimir Putin restringiu o fornecimento de gás à Europa, o que fez a demanda disparar. Soma-se a isso o fato de que a redução no ICMS não impactou o gás da mesma forma que a gasolina, já que a tributação é na fonte e não no consumo – situações que fazem com que os brasileiros devam esperar um cenário de turbulência nos próximos meses.