Gasto de 2,3 milhões de Bolsonaro: ‘Por que seguranças precisam de quarto separado se não usam máscara?’, questiona deputado

Adriana Mendes
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O ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Wagner Rosário, afirmou ontem que o presidente Jair Bolsonaro gastou 2,3 milhões “fora do local costumeiro” e não estava de férias entre 18 de dezembro e 5 de janeiro quando viajou para São Paulo e Santa Catarina. O ministro prestou esclarecimentos sobre a viagem de fim de ano na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. Ele explicou que, no cartão corporativo, 70% dos gastos foram com hospedagem porque com a pandemia os seguranças ficaram em quartos separados.

— Por que tem que dormir no quarto separado se eles estão sem a máscara no dia a dia de convívio? — perguntou o deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ).

— Quero deixar claro que não acompanho a segurança do presidente, não sei se eles usam máscara, ou não usam máscara — respondeu Rosário, acrescentando que se o governo não tivesse tomado medida preventiva também estaria sendo questionado.

Rosário justificou que Bolsonaro não passou o comando do país e trabalhou normalmenteno período:

— O presidente despachou diariamente com ministros e assessores, assinou um decreto, sete medidas provisórias e sancionou seis projetos de lei.

O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) questionou a justificativa do trabalho, afirmando que o presidente “não anda com uma medida provisória a tiracolo”.

— Viagem ao Guarujá durante o Ano Novo não é para despachar, me desculpe senhor ministro, mas é férias — disse Kataguiri, lembrando que a Advocacia-Geral da União recorreu ao Supremo para garantir o sigilo dos gastos do cartão corporativo.

As despesas questionadas são relativas às idas de Bolsonaro a São Francisco do Sul, entre 19 e 23 de dezembro, e ao Guarujá, entre 28 de dezembro e 4 de janeiro, incluindo o Réveillon. O presidente foi criticado porque, durante o período da viagem com custo alto, a crise sanitária e financeira causada pela pandemia da Covid-19 voltava a se agravar no país. Rosário respondeu que quem não estivesse satisfeito que tentasse aprovar uma lei no Congresso “proibindo” o presidente de sair do Palácio. No caso do uso da aeronave usada na viagem, que teve desembolso de cerca de R$ 1,2 milhão, segundo a CGU o recurso seria gasto mesmo com o avião parado.