Gasto de R$ 15 milhões com leite condensado por todo o Executivo vira piada e revolta nas redes sociais

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Foto: Reprodução

A informação de que órgãos do governo federal gastaram mais de R$ 15 milhões com leite condensado em 2020 — em meio a R$ 1,8 bilhão de gastos com supermercado — virou piada nas redes sociais nesta terça-feira, após ter sido divulgada pelo site Metrópoles. Os dados, extraídos do Painel de Compras do Ministério da Economia, também provocaram revolta entre políticos e anônimos que usam a internet para se manifestar contra o presidente Jair Bolsonaro. As compras do Palácio do Alvorada, onde ele vive, não estão computadas no levantamento.

De acordo com o Metrópoles, houve um aumento de 20%. no ano passado, nas despesas com itens alimentícios adquiridos pelo governo. Os maiores montantes foram pagos pelos ministerios da Defesa e da Educação. A primeira pasta é responsável pela alimentação do efetivo das Forças Armadas e, em nota enviada ao site, informou que "toda despesa efetuada pela Administração Pública Federal está dentro do orçamento". O texto completo está no fim da matéria.

Entre os alimentos listados pelo site, além de itens mais tradicionais, apareceram biscoitos, sorvete, massa de pastel, geleia de mocotó, picolé, pão de queijo, pizza, vinho, bombom e chiclete.

O que mais mobilizou os internautas foi o leite condensado, utilizado em uma das receitas favoritas de Bolsonaro: o pão com leite condensado. O ingrediente está entre os assuntos mais comentados do Twitter e já reúne mais de 200 mil menções até as 15h desta terça-feira. Apesar das publicações, os gastos da Presidência não constam no levantamento e os R$ 15 milhões gastos com o ingrediente são referentes ao uso de toda a administração federal.

Políticos de oposição pegaram carona no episódio para criticar o governo. O ex-ministro Ciro Gomes, do PDT, disse que vai entrar na Justiça para pedir explicações sobre os "gastos absurdos":

"Entrarei na justiça para pedir explicações sobre os gastos absurdos do Bolsonaro! Mais de R$ 15 milhões em Leite Condensado e Chiclete com dinheiro público? Isso é corrupção!"

Segundo as contas da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), o governo federal teria gastado 7,6 mil latas de leite condensado por dia no ano passado.

"O Brasil já teve ladrão de todo tipo na presidência. Já teve ladrão de galinha, de triplex, de Petrobras...Mas não é que o que mais tá metendo a mão no nosso bolso ficará conhecido com o “ladrão de leite condensado”?! 7.600 latas por dia!!! Vai roubar assim na casa do chapéu"

A ex-deputada Manuela D'ávila (PCdoB) também criticou as compras e o presidente:

"Bolsonaro nega ao povo brasileiro o auxílio emergencial de R$ 600 enquanto gasta R$ 16,5 milhões com batata frita embalada, R$ 15,6 milhões com leite condensado, R$ 13,4 milhões com barra de cereal, R$ 12,4 milhões com ervilha em conserva e, acreditem, R$ 2,2 milhões com chiclete."

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) também lembrou do auxílio emergencial criado durante a pandemia da Covid-19, que o governo decidiu não prorrogar.

Já o youtuber Felipe Neto, uma das principais vozes de oposição entre os jovens, brincou com uma das brincadeiras que donos de canais no Youtube costumam filmar para publicar na plataforma:

"E não fez uma banheira de brigadeiro para o Youtube?", ironizou o influenciador.

LEIA A NOTA DO MINISTÉRIO DA DEFESA SOBRE O CASO:

"Com disponibilidade permanente e dedicação exclusiva, os militares realizam atividades inerentes à profissão militar e que possuem exigências físicas específicas em diferentes áreas de atuação e nas mais diferentes regiões do território nacional. Assim, cumprem ações que requerem, em grande parte, atividades físicas ou jornadas de até 24 horas em escalas de serviço, demandando energia e propriedades nutricionais que devem ser atendidas para a manutenção da eficiência operacional e administrativa com a disponibilização de uma dieta adequada.

O Ministério da Defesa fornece diariamente alimentação para militares e servidores civis que permaneceram com atividades essenciais ao cumprimento de sua missão institucional, mesmo durante a pandemia, por meio de suas Unidades Gestoras. A aquisição de alimentos variados e conforme a disponibilidade de mercado, leva em consideração, naturalmente, que o fornecimento de uma dieta inadequada tem potencial de deixar de conduzir o homem a um estado nutricional saudável para a realização de suas atividades laborais.

O MD informa ainda que para fins de esclarecimento, existem processos de licitação em fase inicial de compra tipo Registro de Preços, que se trata de um edital para pregão, sem, contudo, haver sido consumada a compra dos itens discriminados. Nesta modalidade, a administração pública não está obrigada a firmar as contratações dos itens listados no pregão e o licitante fica obrigado a fornecer o material registrado durante o período de doze meses. Portanto, as quantidades elencadas não representam necessariamente a eventual aquisição e são estimativas para o período de um ano. Além disso, os preços constantes do chamamento público são valores de referência compatíveis com o mercado.

Por fim, as Unidades Gestoras obedecem aos requisitos previstos na Lei n 8.666, de 21 Jun 1993 – Lei de licitações e contratos".