Gazprom cita motivo de 'força maior' para reduzir seu fornecimento de gás

A gigante de gás russa Gazprom citou um motivo de "força maior" para se exonerar da responsabilidade pela redução maciça de seu fornecimento de gás para a Europa, disseram à AFP nesta terça-feira (19) os principais clientes alemães da companhia.

"Recebemos uma carta da Gazprom na qual a empresa invoca retroativamente uma força maior por seus cortes de fornecimento de gás passados e atuais", declarou a Uniper, maior importadora de gás da Alemanha.

"Podemos confirmar o recebimento de um aviso de força maior", confirmou o grupo RWE, outro cliente da Gazprom, também em comunicado enviado à AFP.

Ambos os grupos confirmam assim as informações que foram publicadas na imprensa no início desta semana.

Segundo o jornal alemão Handelsblatt, outros "clientes europeus" da Gazprom foram igualmente notificados de um motivo de "força maior".

Falar de um "estado de força maior" permite que uma empresa seja liberada de suas obrigações contratuais, isentando-a de qualquer responsabilidade legal.

O motivo mencionado deve ser particularmente imprevisível, independentemente da vontade da empresa e que a impeça de cumprir as suas obrigações.

No entanto, a natureza do motivo não foi especificada, segundo as empresas entrevistadas.

"Consideramos que isso não se justifica e rejeitamos formalmente a evocação de força maior", reagiu a Uniper.

A Gazprom reduziu as entregas de gás através do gasoduto Nord Stream em 60% nas últimas semanas, citando a ausência de uma turbina Siemens que se encontra em manutenção no Canadá.

Esta decisão foi denunciada como "política" pelo governo alemão, por considerá-la motivada pelo desejo de influenciar os ocidentais no conflito na Ucrânia.

O gasoduto Nord Stream está em obras desde 11 de julho. Esta manutenção de rotina terminará na quinta-feira às 04h00 GMT (1h00 de Brasília).

Desde o início da guerra na Ucrânia, a Alemanha fechou outro gasoduto russo que deveria entrar em funcionamento - o Nord Stream 2 - e se esforça para reduzir a dependência do gás de Moscou.

Mas a dependência permanece elevada: 35% de suas importações de gás procedem da Rússia, contra 55% antes da guerra. E mais de 50% da calefação das residências precisa do gás.

Uma paralisação permanente do Nord Stream 1 não afetaria apenas a maior economia europeia.

Segundo o site do Nord Stream, o gás que chega à Alemanha, à localidade de Lubmin, é transportado em seguida para Bélgica, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Holanda e outros países.

Uma interrupção prolongada do abastecimento agravaria então a crise energética que já afeta a Europa, com preços em alta e o temor de um inverno muito difícil.

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