Geórgia pede intervenção da justiça federal em investigação sobre assassinato de jovem negro

Manifestantes protestam pela morte de Ahmaud Arbery, em 8 de maio de 2020, em Brunswick, Geórgia

O procurador-geral do estado da Geórgia solicitou ao Departamento da Justiça dos Estados Unidos que investigue o assassinato de um jovem negro quando se exercitava, o que provocou indignação em todo o país.

Ahmaud Arbery, de 25 anos, foi assassinado em 23 de fevereiro enquanto corria em plena luz do dia em um bairro residencial da cidade de Brunswick, Geórgia. Na semana passada, dois homens brancos foram presos e acusados de atirar contra ele.

A justiça local está sendo questionada por demorar mais de dois meses para atuar contra os suspeitos.

"Solicitei formalmente ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (@SDGAnews) que faça uma investigação sobre o desenvolvimento do caso", tuitou no domingo o procurador-geral da Geórgia, Chris Carr, juntamente com um comunicado oficial.

Carr afirmou que seu escritório está "comprometido com uma revisão completa e transparente de como foi desenvolvido o caso Ahmaud Arbery desde o início".

"A família, a comunidade e o estado da Geórgia merecem respostas", acrescentou.

A morte de Arbery ganhou notoriedade pública nacional na semana passada, após a divulgação de um vídeo de 28 segundos que mostra o momento do assassinato.

Nas imagens, Arbery é visto correndo por uma rua residencial e aproximando-se de uma caminhonete branca, com um homem parado atrás.

Quando Arbery tenta desviar, encontra um segundo homem que segura uma espingarda. Então, uma briga ocorre entre os dois e se escutam três tiros.

A polícia identificou os dois homens brancos como Gregory e Travis McMichael, pai e filho de 64 e 34 anos, moradores de Brunswick. Ambos foram presos na quinta-feira e acusados de assassinato e agressão agravada.

De acordo com o relatório policial de fevereiro, Gregory McMichael disse aos policiais que acredita que Arbery era suspeito de uma série de roubos na região.

McMichael afirmou que usou sua Magnum 357, enquanto seu filho portava uma espingarda. Quando finalmente alcançaram o jovem, Travis McMichael saiu da caminhonete com a espingarda e Arbery começou a "atacá-lo violentamente", disse o pai, segundo o relatório da polícia. O homem contou que viu seu filho disparar e que Arbery caiu no chão.

As imagens geraram indignação em todo o país e apelos de várias celebridades, incluindo LeBron James e a atriz Zoe Kravitz.

Muitos compararam o caso com a morte à tiros de outro jovem negro, Trayvon Martin, por um guarda na Flórida em 2012.

A prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, descreveu o assassinato de Arbery como um "linchamento".

No jornal "Atlanta Journal-Constitution" de domingo, o rapper Jay-Z e a cantora Alicia Keys pediram ao governador e ao procurador-geral da Geórgia para "garantir que seja realizado um julgamento justo, o que só pode conduzir às condenações correspondentes por crimes graves".

No sábado, a Coalizão de Jogadores da liga de futebol americano (NFL) pediu ao procurador-geral, William Barr, uma investigação federal.