General americano em Omã faz advertência com o Irã na mira

Sylvie LANTEAUME
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Chefe do Comando central do exército americano (Centcom), general Kenneth McKenzie

Um alto comandante militar americano aproveitou uma visita a Omã para advertir o Irã que se abstenha de qualquer provocação, em um momento em que o novo governo de Joe Biden afirma que deseja retomar o diálogo com Teerã.

"Acredito que este é o momento para que todos demonstrem moderação e precaução, e vejam como vão as coisas", afirmou o general Kenneth McKenzie, que comanda as forças americanas no Oriente Médio, em uma entrevista à AFP no domingo.

"No entanto, estamos preparados para qualquer eventualidade", alertou.

"Muitas coisas serão definidas nos próximos meses", acrescentou McKenzie, chefe do Comando Central do Exército americano (Centcom), já que nos últimos dias o governo de Biden mandou vários sinais a Teerã para reativar o acordo internacional de 2015, que enquadra o programa nuclear iraniano.

O oficial afirmou que "os iranianos devem se esforçar para serem reconhecidos como membros responsáveis da comunidade internacional e um país estável na região", renunciando às suas atividades "nefastas".

O governo dos Estados Unidos acusa o Irã de desestabilizar a região apoiando financeira e militarmente grupos armados, principalmente no Iraque, Líbano e Iêmen.

Também culpa a Guarda Revolucionária - o exército de elite da República islâmica - de prejudicar o tráfego marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz, lugar de passagem de um terço do petróleo transportado em navios petroleiros no mundo.

O Estreito estava no centro da agenda da visita do general norte-americano a Omã, destinada oficialmente a estabelecer contato com o novo comandante do Estado maior militar do país, o contra-almirante Abdallah Ben Jamis Al-Raissi.

No sábado, ele visitou a base naval de Omã, em Jassab, que controla o tráfego marítimo no Estreito desde a íngreme península de Musandam, no norte do país.

- "Nublado" -

O general McKenzie também sobrevoou o Estreito de helicóptero, aproximando-se a 45 km da ilha iraniana de Qeshm, do outro lado do Estreito.

"Estava nublado, não consegui vê-la", disse com um sorriso.

A visita aconteceu sem incidentes, com absoluta discrição, e o oficial não descartou que o Irã volte a tentar vingar o assassinato do general Qassem Soleimani, chefe da Força Quds encarregada das operações externas da Guarda Revolucionária, uma ação realizada em Bagdá em janeiro de 2020 pelo Exército americano.

"Existe o risco de que tenham a tentação" de atacar bases americanas na região, admitiu. "Mas avaliamos constantemente as medidas para proteger nossas forças", acrescentou.

Poderia ele mesmo ser alvo de um ataque? "Sou um velho general dos fuzileiros navais. Enfrentei riscos em muitas ocasiões e em muitos lugares. Estou convencido de que contamos com boas medidas de proteção", afirmou.

Uma conta do Twitter relacionada ao líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, fez um pedido no mês passado para vingar o assassinato de Soleimani, que parecia apontar para seu promotor, o ex-presidente americano Donald Trump.

Vários ataques nos últimos meses atribuídos a grupos pró-Irã tiveram como alvo bases militares no Iraque utilizadas pelo exército dos Estados Unidos.

O sultanato do Omã é aliado dos Estados Unidos, que utiliza várias bases aéreas, assim como seu porto de Salalah (sul). No entanto, também mantém vínculos com o Irã e, portanto, as sanções internacionais contra Teerã afetaram diretamente a economia do Omã.

Os interlocutores omanis de McKenzie não esconderam sua satisfação ao comprovar que o governo Biden abandonaria a política de "máxima pressão" contra o Irã, que teve um alto custo para o sultanato em relação ao comércio com Teerã.

Este pequeno país, com 4,5 milhões de habitantes, realizou há um ano uma transferência pacífica de poder após a morte do sultão Qabus, seu líder histórico.

Seu sucessor, o sultão Haitham, formou uma nova equipe de governo e realizou amplas modificações à frente das forças armadas, mas garantiu que quer manter sua política de neutralidade e mediação na região do Golfo, que continua sob tensão.

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