General Electric (GE) se divide em três companhias separadas

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Nome "General Electric" será mantido para uma terceira empresa especializada no setor aeronáutico (AFP/Joseph Prezioso)

A General Electric (GE) anunciou nesta terça-feira (9) a cisão de suas atividades e deixará de existir como conglomerado, encerrando um capítulo de uma das maiores aventuras industriais da história dos Estados Unidos.

A GE dará lugar a três empresas independentes que terão ações negociadas na bolsa e se dedicarão à aviação, saúde e energia.

A decisão é consequência da estratégia empreendida ao longo de vários anos para enfrentar uma dívida colossal e as consequências de más decisões.

"Temos a responsabilidade de agir rapidamente para moldar o futuro da aviação, promover a medicina de precisão e orientar a transição energética", declarou Lawrence Culp, CEO da GE, em uma teleconferência.

A GE planeja criar uma nova entidade a partir de sua divisão de saúde no início de 2023, na qual manterá uma participação de 19,9%.

As atividades relacionadas com energias renováveis e turbinas eólicas, gás e vapor, serão agrupadas em uma única empresa a partir do início de 2024.

Após essas mudanças, o nome "General Electric" será mantido para uma terceira empresa especializada no setor aeronáutico, área crucial para a GE que fabrica jatos e motores, especialmente para a Boeing.

Culp permanecerá no comando da GE até a conclusão da divisão de energia e, então, liderará o novo grupo de aviação.

Peter Arduini assumirá as rédeas da divisão de saúde no início de 2022, Scott Strazik assumirá a empresa de energia e John Slattery manterá seu papel como diretor administrativo da unidade de aviação.

Wall Street reagiu bem ao anúncio e as ações da GE estavam sendo negociadas com alta de 4%.

No entanto, a agência de classificação S&P Global disse que consideraria reduzir a pontuação da GE, ao estimar que a separação em três entidades deixaria o grupo "menos diversificado".

Para atingir seus objetivos, a GE pode tirar vantagem da indústria nuclear por meio de uma startup especializada em energia renovável, acredita Peter McNally, da Third Bridge.

"Nos Estados Unidos, o declínio no número de usinas nucleares se estabilizou e as existentes tiveram seus ciclos de vida estendidos graças à notável confiabilidade e ao aumento da demanda por energia", disse McNally.

"Embora a energia nuclear continue sendo controversa em vários países ao redor do mundo, estamos vendo o número de instalações aumentando em lugares como Europa Oriental ou Oriente Médio", acrescentou.

Criada no final do século XIX por Thomas Edison, a GE é há muito tempo uma das principais indústrias dos Estados Unidos, com presença em muitos setores, desde transporte elétrico a finanças, mídia a TI.

Até o início dos anos 2000 e antes da chegada de gigantes da tecnologia como Apple, Amazon ou Google, o conglomerado alcançou, em várias ocasiões, a maior capitalização de Wall Street, com um valor de quase 600 bilhões de dólares.

Mas a empresa, que tem sede em Boston, pagou um preço alto por aquisições fracassadas, incluindo a da hipotecária WMC em 2004 e a divisão de energia da multinacional francesa Alstom em 2015.

Os negócios financeiros da GE foram duramente atingidos pela chamada crise das hipotecas "subprime" de 2008 por causa de seus investimentos arriscados em imóveis comerciais.

Em 2018, saiu do Dow Jones Industrial Average, referência em Wall Street, ao qual pertenceu por 111 anos.

Culp foi nomeado diretor da GE em outubro de 2018 na tentativa de reorientar o conglomerado e aliviar sua dívida.

A GE lembrou nesta terça-feira sua meta de reduzir o peso da dívida em 75 bilhões de dólares entre o final de 2018 e o final de 2021.

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