General Heleno ataca a Globo: 'Quer desestabilizar o país'

Heleno foi o segundo do alto escalão do governo a se manifestar - o primeiro foi o vice-presidente Hamilton Mourão, atual presidente em exercício. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, afirmou que TV Globo quer “desestabilizar” o país e “fomentar” manifestações populares como as que estão ocorrendo em outros países da América Latina.

Heleno foi o segundo do alto escalão do governo a se manifestar - o primeiro foi o vice-presidente Hamilton Mourão, atual presidente em exercício - após o nome do presidente Jair Bolsonaro ser citado nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

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Pelo Twitter, Heleno chamou a TV Globo de “sensacionalista” e acusou a emissora de usar “levianamente” o depoimento de um porteiro para “desestabilizar” Bolsonaro a qualquer custo.

O QUE DISSE O PORTEIRO?

Segundo informações da TV Globo, o porteiro do condomínio disse à polícia que, horas antes do assassinato dos dois, o outro suspeito do crime, Élcio de Queiroz, entrou no local e disse que iria para a casa do então deputado Jair Bolsonaro que, conforme mostram registros de presença da Câmara dos Deputados, estava em Brasília no dia 14 de março de 2018.

De acordo com o registro do porteiro, às 17h10 da data do crime, Élcio entra com um carro e vai à casa de número 58. Segundo apuração da TV Globo, o porteiro ligou para a casa e perguntou se o visitante estaria autorizado a entrar. Ele disse também que identificou a voz de quem atendeu como sendo a do “seu Jair”, fato que ele confirmou em dois depoimentos.

Conforme o registro geral de imóveis, a casa 58 pertence a Jair Messias Bolsonaro. O presidente também é proprietário da casa 36, onde vive Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro pelo PSC e filho do presidente.

Após adentrar o condomínio, Élcio teria ido a casa 66 do condomínio, diferente do que havia comunicado na portaria. A casa 66 era onde morava Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle e Anderson. O porteiro disse ter acompanhado a movimentação do carro de Élcio pelas câmeras de segurança.

O porteiro afimou, em depoimento, que ligou de novo para a casa 58, e que o homem identificado por ele como "Seu Jair" teria dito que sabia para onde Élcio estava indo, desfazendo assim qualquer tipo de conflito.

Conforme consta nos registros da Câmara, Jair Bolsonaro estava em Brasília, portanto, era impossível que tivesse atendido ao porteiro. O então deputado marcou presença em duas votações na casa: uma às 14h e outra às 20h30.

A TV Globo também diz que fontes garantem que os dois criminosos saíram do condomínio no carro de Ronnie Lessa, minutos depois da Élcio adentrar o condomínio, e embarcaram no carro usado no crime fora das dependências do condomínio onde Jair Bolsonaro é dono das casas.

A guarita do condomínio teria equipamentos que gravam conversas pelo interfone. Segundo a TV Globo, os investigadores estão recuperando os arquivos de áudio para saber com quem, realmente, o porteiro conversou no dia da morte de Marielle e Anderson. A polícia prendeu os dois suspeitos de matar Marielle e Anderson em março deste ano.

O QUE DISSE BOLSONARO?

Após a reportagem, Bolsonaro fez duras críticas à Globo, dizendo que o canal de televisão “inferniza” sua vida e ameaçou cassar a concessão da emissora em 2022.

“Vocês, TV Globo, o tempo inteiro infernizam a minha vida, p*** […] Agora, Marielle Franco, querem empurrar pra cima de mim? Patifes, canalhas, não vai colar! Não devo nada a ninguém”, disse o presidente visivelmente alterado. “Não tinha motivo nenhum para matar alguém no Rio de Janeiro".

Bolsonaro ainda pediu para TV Globo “parar de trair o Brasil”. “Vocês querem arrebentar com o Brasil. Estava muito bem com governos anteriores, mamavam bilhões de estatais. Acabou essa mamata, não tem dinheiro mais público para vocês”, afirmou, dizendo que a verdade está ao seu lado.