General norte-coreano e Ivanka Trump no encerramento das Olimpíadas de Inverno

Por Jung Hawon
Kim Yong Chol (centro), à frente da delegação norte-coreana em 25 de fevereiro em Pyeongchang

O general norte-coreano Kim Yong Chol e a filha de Donald Trump, Ivanka, assistiram neste domingo a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang.

De acordo com imagens da área VIP do Estádio Olímpico, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, apertou a mão de Ivanka Trump e logo depois do general Kim Yong Chol, sentando uma fila atrás da filha do presidente dos Estados Unidos.

Mas os representantes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos aparentemente não fizeram contato direto.

Mais cedo, a delegação norte-coreana, liderada por um polêmico general considerado um "criminoso de guerra" pela oposição sul-coreana, foi recebida pelo vice-ministro da Unificação de Seul, Chun Hae-sung, no posto fronteiriço de Dorasan.

A visita de Kim Yong Chol provocou a ira da oposição conservadora sul-coreana, porque ele é suspeito de ter ordenado os disparos de torpedo contra a corveta sul-coreana Cheonan em 2010, que matou 46 pessoas. Pyongyang sempre negou qualquer responsabilidade.

Centenas de pessoas protestaram perto da fronteira durante a noite e exigiram que Kim Yong Chol "pedisse desculpas de joelho às famílias das vítimas", de acordo com uma bandeira.

Apesar de não sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU, é alvo de sanções unilaterais sul-coreanas.

A presença em Pyeonchang desta delegação de oito membros é a ilustração final do frenesi diplomático que dominou a península desde que o Norte anunciou em 1º de janeiro que participaria das Olimpíadas de Inverno.

Depois de dois anos de tensões crescentes, em razão dos testes de mísseis e atômicos de Pyongyang, a Coreia do Norte embarcou em uma ofensiva positiva durante Jogos, que Seul vendeu como "os da paz".

Para a cerimônia de abertura, o líder norte-coreano Kim Jong Un enviou sua irmã Kim Yo Jong, que ficou a poucos metros do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

Nesta primeira viagem ao Sul de um membro da dinastia que governa o Norte há décadas, ela convidou Moon para uma cúpula em Pyongyang.

No sábado, o presidente sul-coreano se reuniu com o general Kim por uma hora, segundo a Casa Azul, que não forneceu detalhes sobre o encontro.

Ao apostar numa distensão com o Sul, alguns especialistas acreditam que o Norte tenta polir sua imagem para obter uma atenuação drástica das sanções internacionais engendradas por seus programas militares.

Mas, sinal de que esta "trégua olímpica" não teve impacto na espinhosa questão nuclear, Donald Trump anunciou novas sanções unilaterais contra a Coreia do Norte, que ele acusou no sábado de trazer "as nuvens da guerra" para a península.

"Como dissemos muitas vezes, consideraremos qualquer tipo de bloqueio como um ato de guerra contra nós", declarou um porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, citado pela agência oficial de notícias KCNA.

"Trump está tentando nos fazer mudar com essas sanções e suas observações hostis, o que mostra sua ignorância sobre nós", ressaltou o ministério.

"Nós já temos nossas próprias armas nucleares, uma espada da justiça para nos proteger contra esse tipo de ameaça dos Estados Unidos".

As novas sanções visam mais de 50 companhias marítimas e navios que, de acordo com o executivo americano, ajudam Pyongyang a contornar as muitas restrições a que o regime está sujeito.

Um pouco mais tarde, no entanto, a presidência sul-coreana assegurou que durante a reunião com a delegação norte-coreana, a Coreia do Norte se mostrou "disposta" a conversar com os Estados Unidos.

A delegação norte-coreana "concordou que o diálogo intercoreano e as relações do Norte com os Estados Unidos deveriam melhorar ao mesmo tempo", disse Seul em um comunicado.