General Ramos: 'Reconheço que errei ao não fazer interlocução com presidentes de partidos'

Gustavo Maia, Naira Trindade e Thaís Arbex
O general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, ministro-chefe da Secretaria de Governo, durante entrevista

BRASÍLIA - Sete meses à frente da articulação política do governo, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, precisou da calmaria do recesso parlamentar de janeiro para reconsiderar a maneira como dialoga com o Congresso.

— Eu reconheço, e não tenho vergonha de falar, um dos erros foi que não tive interlocução com presidentes de partidos — afirmou, Ramos, admitindo ter dado início a uma rodada de conversas com líderes das legendas, começando por aqueles do chamado centrão — entre os quais Ciro Nogueira, do PP, Gilberto Kassab, do PSD, e Marcos Pereira, do Republicanos —, contrariando uma a das premissas de Bolsonaro no início de seu governo.

Ramos nega, no entanto, que o movimento seja a porta de entrada para a retomada do chamado presidencialismo de coalizão com vistas à formação de uma consolidada base de apoio no Congresso.

Fortalecido no Palácio do Planalto após conseguir emplacar um amigo de longa data, o também militar Walter Souza Braga Netto, no lugar de Onyx Lorenzoni na Casa Civil, recebeu O GLOBO em seu gabinete no quarto andar do Planalto, uma hora depois de o presidente Jair Bolsonaro ter oficializado a troca na equipe ministerial pelas redes sociais.

Durante a entrevista, Ramos falou sobre troca ministerial, eleições 2020, Regina Duarte e morte do ex-capitão Adriano.