Generali muda de CEO pela terceira vez em três anos

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ROMA - Frustrado com o desempenho fraco da companhia no mercado de ações, o Conselho Diretor da companhia italiana de seguros Generali decidiu neste sábado demitir o executivo-chefe, Giovanni Perissinotto. A empresa informou, em comunicado, que ele será substituído por Mario Greco, executivo-chefe do Zurich Insurance Group. Interinamente, até que isso ocorra, o substituto será Gabriele Galateri di Genola.

Greco será o terceiro executivo-chefe da Generali em três anos. Em abril de 2010, Antoine Bernheim foi substituído por Cesare Geronzi. A mudança teria sido motivada pela idade avançada de Bernheim - 85 anos - por pressão dos acionistas. Um ano depois, Geronzi teve que renunciar ao cargo por "governança imprópria", antes que fosse demitido devido ao seu envolvimento em casos de corrupção.

Perissinoto, de 58 anos, trabalhava para a companhia há 30 anos. Dez integrantes do Conselho Diretor da Generali votaram contra sua permanência no cargo, cinco votaram a favor e um se absteve, relatou o membro do conselho Claudio de Conto, após a reunião.

- Todos estão preocupados com o futuro da companhia. Vamos esperar que a decisão certa tenha sido tomada - disse Claudio De Conto.

Um dos apoiadores de Perissinoto na votação, Diego Della Valle, disse que vai renunciar ao seu posto no conselho Diretor na segunda-feira, argumentando que a decisão traz o risco de prejudicar a credibilidade do país perante os mercados internacionais".

O preço das ações da Generali caiu 30% desde o começo do ano. A provável saída do CEO acelerou a queda da cotação na sexta-feira, quando os papéis recuaram 3,35% no fechamento da bolsa de valores de Milão. O lucro líquido da companhia caiu 50% no ano passado, o que forçou a redução dos dividendos para menos da metade em 2011, de 0,45 euro para 0,20 euro. A empresa começou 2012 com queda de 7,9% no lucro líquido, no primeiro trimestre.

A pressão para a saída do executivo-chefe partiu do principal acionista da Generali (com 13,24%), o banco de investimento Mediobanca, juntamente com a Luxotica (3,0%), Editora De Agostini (2,43%) e a construtora Caltagirone (2,27%). O Mediobanca tentou convencer Perissinoto a renunciar, na quarta-feira, mas ele se recusou, forçando, assim, a votação dos acionistas.

Na sexta-feira, o executivo publicou uma carta aberta em veículos de comunicação italianos, expressando sua "incredulidade" com o movimento dos acionistas, e acusou o Mediobanca de "colocar seus próprios interesses acima dos interesses da companhia". Perissinoto disse ainda que os indicadores de desempenho da Generali estão entre os melhores do mercado e que a queda do preço das ações não se deveu a erros de gerenciamento, mas à forte exposição italiana a dívida.

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