Genial/Quaest: Auxilio Brasil melhora imagem do governo, mas ainda não vira voto

A woman looks at displayed towels and presidential campaign materials depicting Brazil's former President Luiz Inacio Lula da Silva and Brazil's President Jair Bolsonaro, in Rio de Janeiro, Brazil, July 20, 2022. REUTERS/Ricardo Moraes
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (3/8) mostra que está diminuindo a rejeição ao candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) neste início de campanha. Se a eleição fosse hoje, ele teria 32% dos votos, segundo a consultoria, contra 44% do ex-presidente Lula (PL). Ambos oscilaram apenas um ponto em relação à última divulgação. Lula para baixo e Bolsonaro, para cima.

O retrato parece estagnado, mas algo mudou no último mês.

O presidente é ainda o postulante mais rejeitado pelos eleitores –55%, segundo o levantamento de agosto. Mas há um mês o índice era de 59% –já foi de 67%, em novembro de 2021.

De lá para cá, mudou a percepção dos brasileiros em relação à pandemia. No começo deste ano, 69% dos entrevistados se diziam muito preocupados com a crise sanitária. Hoje o número é de 41%, enquanto 43% afirmam estar só um pouco preocupados. Entre os que pretendem votar em Bolsonaro apenas 24% estão muito preocupados com a Covid; quase metade (47%) se diz nada preocupada.

Não foi a única mudança na avaliação dos eleitores sobre temas-chave da campanha.

A pesquisa sugere que está funcionando o discurso do presidente de se desvencilhar da responsabilidade pela alta no preço dos combustíveis.

Em julho, a “culpa” pela alta era uma bola dividida. Um quarto dos entrevistados responsabilizava Bolsonaro e outros 25% atribuíam os valores a fatores externos. Hoje os números são, respectivamente, 21% e 34%. A Petrobras é a culpada para 18% e os governadores são citados por 12%.

Detalhe: entre os eleitores de Bolsonaro, só 3% atribuem a culpa ao presidente.

Mesmo entre quem pretende votar em Lula a imagem do presidente saiu menos arranhada desta vez. Hoje 38% o culpam pela alta, mas o índice há um mês era de 43%.

Entre um mês e outro, caiu nove pontos percentuais (de 48% para 39%), a avaliação negativa do governo, enquanto a aprovação saltou de 24% para 28% –acima, portanto, da margem de erro, de dois pontos percentuais.

Sinal de que a caixa de ferramentas abertas pelo governo pode estar surtindo efeito –ao menos na avaliação da gestão.

A parcela engordada do benefício ainda não caiu (está prevista para o dia 9/8), mas já produz efeitos. Entre os que não recebem o Auxílio Brasil, por exemplo, a rejeição do governo caiu de 47% para 44%, enquanto a aprovação oscilou um ponto para cima, chegando agora a 28%.

Entre quem recebe o benefício, Lula ainda tem a maioria das intenções de voto (52%, contra 29% de Bolsonaro), mas a distância diminuiu consideravelmente em relação a janeiro deste ano, quando o petista somava 59% e Bolsonaro, apenas 18%.

Segundo o levantamento, 82% das pessoas já sabem do valor do novo auxílio e 67% ficaram sabendo que o presidente pretende reduzir o ICMS dos combustíveis. Pouco mais da metade (53%) acompanhou a reunião de Bolsonaro com embaixadores para atacar as urnas eletrônicas.

Um detalhe captado pela pesquisa é que, apesar da melhora da avaliação do governo (e, em parte, do próprio candidato), as perdas e ganhos eleitorais ainda são relativos.

Para 64%, a redução do ICMS diminui ou não aumentaria as chances de votar em Bolsonaro – 74% dizem o mesmo sobre o Auxílio Brasil e 72%, sobre a reunião com os diplomatas.

Entre quem pretende votar em Lula, apenas 10% admitem, por exemplo, que podem mudar de ideia em razão do aumento do benefício, por exemplo.

Para 40%, o maior problema do país ainda é a economia – e para a maioria dos eleitores (51%), Bolsonaro faz menos do que pode pelo país.

O desafio, para Bolsonaro, é mudar essa impressão e transformá-la em votos. A melhora, porém, já é suficiente para evitar uma derrota já no primeiro turno.

Lula sabe disso e busca agora o apoio de candidatos com poucas chances nas eleições presidenciais para encher o papo de grão em grão.

Nesse contexto, o racha com o PSB, seu principal parceiro na campanha nacional, em um colégio eleitoral estratégico como o Rio de Janeiro, com a retirada do apoio do PT a Marcelo Freixo ao governo do Rio, deveria acender o alerta. O estado é o berço do bolsonarismo. E qualquer hesitação pode custar caro.

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