'A gente ainda aguarda que o Ministério da Saúde avalie a adoção do passaporte vacinal a estrangeiros no carnaval', diz secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz

·3 min de leitura

RIO — O secretário municipal de Saúde Daniel Soranz disse que a prefeitura do Rio aguarda um posicionamento do Ministério da Saúde sobre a cobrança de passaporte vacinal de estrangeiros que chegarem ao Rio antes e durante o carnaval. A declaração foi dada nesta sexta-feira, durante audiência pública virtual da Comissão Especial do Carnaval da Câmara de Vereadores do Rio, presidida por Tarcísio Motta (PSOL).

Soranz informou sobre a pendência (o pedido foi feito ao governo federal em outubro) após ser questionado pelo presidente da Comissão se ele já havia sugerido tal medida ao Ministério da Saúde e se o município estuda adotar algum tipo de passaporte vacinal em locais de hospedagem, uma vez que "os novos surtos (de Covid-19) que atingem vários países da Europa tornam importante a adoção de protocolos rígidos para o controle da entrada de turistas na cidade", segundo Motta.

— O passaporte vacinal é a única medida que a gente ainda estuda manter na cidade: a gente já cobrou do Ministério da Saúde que avalie a solicitação do passaporte para pessoas de outros países que venham ao Brasil, e o Ministério está apreciando essa situação. Para os cariocas, a gente vai definir, ao longo das próximas semanas, se a gente mantém o passaporte vacinal, aumenta a cobrança dele a outros setores da sociedade, ou se a gente já vai alcançar uma cobertura vacinal tão alta (no carnaval) que ele não será mais necessário — disse o secretário, que

Soranz destacou ainda que, com a autorização da aplicação da terceira dose para a população geral, "a gente já vai chegar no carnaval com quase metade da população total e cerca de 70% dos adultos vacinados com a a dose de reforço da vacina para a Covid-19" e que "há segurança sanitária para a realização do carnaval e do réveillon na cidade".

— Até o momento, não temos nenhuma evidência científica que diga que uma população como a da cidade do Rio, com cobertura vacinal de 99,9% dos adultos com a primeira dose, 95% com a segunda dose e 80% dos idosos com dose de reforço, tenham aumento no número de casos. Nos locais onde a gente vê uma alta cobertura vacinal, como é o caso do Brasil, e com a dose de reforço sendo colocada num período inferior a seis meses, como aqui na cidade, há controle de casos e internações. No Rio, apenas 0,5% dos leitos estão ocupados por pacientes com Covid. O baixo índice de testes positivos (3%) facilita muito a secretaria de saúde fazer o rastreamento dos contatos de cada um dos casos e também fazer a genotipagem desses casos — concluiu Soranz.

Precaução

Segundo Tarcísio Motta, os indicadores de monitoramento da pandemia para o carnaval — sugeridos por representantes da Fiocruz — quando analisados de forma integrada, apontam viabilidade para realização do carnaval na cidade. Porém, alertou para a lentidão da vacinação no estado do Rio e no país como um todo, uma vez que o carnaval carioca atrai muitos turistas.

— Os indicadores da prefeitura mostram que, hoje, a positividades dos testes (para Covid) está em 3%: o alvo é 5%, então, essa meta foi atingida. A taxa de contágio está em 0,76, e o alvo é abaixo de 1, então essa meta também foi atingida. A cobertura vacinal completa da população total é de 76% no município, e a meta é de 80%, então, com quase toda certeza, será atingida até o carnaval. No estado do Rio, o índice ainda é de 59,7%, e no país, de 56,9%: esses dois já com maior dificuldade de alcançarem os 80% até o carnaval — apontou o vereador.

Professor titular de Epidemiologia da UFRJ, Roberto Medronho também sinalizou a necessidade de um controle maior das pessoas que entram no município, em razão do ainda baixo índice de vacinação no estado do Rio:

— Nós já sabemos que o estado do Rio e o país não vão alcançar a meta de 80% de imunizados até o carnaval. Então, a prefeitura precisa deixar claro se haverá passaporte vacinal para as pessoas que adentram nosso município. Precisamos preservar a nossa população.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos