'A gente não pode insistir em algo que não é resolutivo', diz ex-secretária para senador defensor da cloroquina

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BRASÍLIA, DF, 02.06.2021: CPI-COVID-DF - CPI da Covid no Senado ouve nesta quarta-feira (2) a médica Luana Araújo, que chegou a ser anunciada em maio como secretária especial de Enfrentamento da Covid do Ministério da Saúde, mas teve sua indicação retirada dez dias depois, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 02.06.2021: CPI-COVID-DF - CPI da Covid no Senado ouve nesta quarta-feira (2) a médica Luana Araújo, que chegou a ser anunciada em maio como secretária especial de Enfrentamento da Covid do Ministério da Saúde, mas teve sua indicação retirada dez dias depois, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ex-secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Luana Araújo, rebateu os argumentos do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), principal defensor da hidroxicloroquina na CPI da Covid, e afirmou que não se pode insistir em algo que não é resolutivo.

"Eu discordo veementemente que essa adoção [da hidroxicloroquina] tenha qualquer tipo de impacto [no enfrentamento da pandemia]. Lamento", afirmou a médica durante depoimento nesta quarta-feira (2).

Luana questionou o senador sobre qual o motivo de nenhuma entidade médica internacional ter recomendado a hidroxicloroquina se há evidências robustas, segundo o senador. Heinze tentou rebater afirmando que 28 países já têm protocolo para o medicamentos.

"São mais de 200 países, senador. E os outros não usam", rebateu.

A médica afirma que são importantes estudos que apontam eficácia da hidroxicloroquina, mas que estudos têm falhas e que por isso se considera uma análise com volume maior de evidências, antes de se adotarem procedimentos

"Não sou contra evidências, quanto mais houver melhor. Mas o volume de evidências que a gente tem não indica o uso desses fármacos", afirmou

Luana Araújo também lembrou que o virologista francês Didier Raoult —citado em todas as sessões por Heinze— já se retratou em algumas conclusões.

ÚNICA INFECTOLOGISTA

Araújo afirmou ainda que era a única infectologista no Ministério da Saúde no período em que atuou na pasta.

"Eu desconheço o histórico anterior à minha presença, mas, no momento em que eu estava lá, eu não conheci outro colega infectologista que estivesse por ali", afirmou.

Luana Araújo deixou o cargo apenas 10 dias após sua indicação. No depoimento, ela afirmou desconhecer os motivos que levaram ao seu desligamento, mas disse ter sido informada que seu nome "não passou na Casa Civil".