'A gente se sente fragilizado': Douglas Souza relata preconceito no aeroporto de Amsterdã

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RIO - Atleta da seleção brasileira de vôlei, Douglas Souza embarcou no fim de semana para se juntar à equipe Vibo Valentia, da Itália. A viagem do jogador demorou mais de 24h devido a problemas enfrentados durante a escala em Amsterdã. Na ocasião, as autoridades holandesas dificultaram a entrada do namorado do esportista em território europeu.

- Na hora que fomos passar pelo controle do passaporte, conversei de boa, ele (agente alfandegário) perguntou o que eu iria fazer na Itália, eu expliquei que fui contratado por tal time. Aí ele perguntou quem era o Gabriel (Campos). Quando eu falei que era meu namorado a fisionomia já mudou na hora e o tratamento dele também - explicou o ponteiro da seleção brasileira.

Douglas relatou nos stories do Instagram que foi levado para um lugar separado, onde havia por volta de 20 pessoas esperando. Desse total, 18 eram negros ou latinos, incluindo ele e o namorado.

- Depois de umas 6h eles me chamaram em uma salinha e fizeram toda uma entrevista para perguntar o que eu iria fazer lá. Achei super normal, saber o que você vai fazer no país, só que eles chegaram de novo a bater na tecla de que meu namorado faria lá - continuou Douglas.

O jogador afirma que tem união estável com Gabriel e apresentou o documento. As autoridades holandesas, no entanto, começaram a questionar se poderiam ligar para a direção do Vibo Valentia para saber se o clube sabia que Douglas levava o namorado.

- Comecei a perceber um padrão no tratamento deles. Colocaram a gente em um canto com umas 20 pessoas, sendo 18 pessoas pretas ou latinas, duas éramos eu e o Gabi. Ficamos literalmente o dia inteiro sentados esperando. E quando deu, sei lá, 11 horas da noite, que aí já tinha fechado o aeroporto, que não tinha mais voo para Roma, eles liberaram a gente - disse.

Douglas e o namorado tiveram que passar a noite no aeroporto. Os dois dormiram no chão e pegaram um voo para Roma às 7h do dia seguinte.

- O que eu senti é que foi uma situação muito estranha, muito difícil, porque a gente se sente fragilizado nessa situação, que a gente não pode fazer nada, que era contra a polícia. Então se a gente falasse alguma coisa, se exaltasse, poderia dar problema para a gente. Eu nem estaria aqui trabalhando hoje - afirmou.

- Eu sei o que eu vivi, eu sei o olhar, o jeito que me trataram, eu e o meu namorado, na frente de todo mundo. Foi uma situação muito constrangedora - finalizou.

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