'A gente vivia receoso de contrariar qualquer orientação', afirma ex-médico da Prevent

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  01-09-2021, 12h00: CPI DA COVID. O motoboy Ivanildo Gonçlaves (E), da VTCLog, presta depoimento aos senadores da Comissão, no senado. O senador Omar Aziz (PSD-AM) (C) preside a comissão e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) (D). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 01-09-2021, 12h00: CPI DA COVID. O motoboy Ivanildo Gonçlaves (E), da VTCLog, presta depoimento aos senadores da Comissão, no senado. O senador Omar Aziz (PSD-AM) (C) preside a comissão e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) (D). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-médico da Prevent Senior Walter Correa de Souza Neto afirmou em depoimento à CPI da Covid que a operadora adota um regime hierárquico extremamente rígido, inclusive mais restritivos que muitas instituições militares.

Ele conta que atuou no Corpo de Bombeiros e na Polícia Civil, mas em nenhum momento vivenciou situação parecida com o que passou na Prevent.

"Não havia nessas instituições militares uma hierarquia tão rígida quanto existia na Prevent, beirava o assédio", afirmou.

"A gente vivia receoso de contrariar qualquer orientação", completou.

O médico confirmou que havia um protocolo para receitar medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19. Ele relatou que dizia a seus pacientes para tomar algumas vitaminas do kit Covid e dizia para não tomar os outros, que ele não receitava nem para a sua família.

Também afirmou que a hierarquia não o deixava livre nem mesmo para usar máscaras, após uma determinação interna.

"Não tinha direito nem de me proteger. Acho que esse é o cúmulo da falta de autonomia", afirmou.

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) lembrou que existia até mesmo um hino que todos eram obrigados a cantar e descreveu a situação como "prática nazista".

MODELO ESTRUTURAL

Em depoimento à CPI da Covid, o médico Walter Correa Souza Neto afirmou que o modelo estrutural da operadora Prevent Senior era voltado para os custos, deixando de lado em muitos aspectos o bem-estar do paciente.

"A inadequação crônica que eu tinha com a Prevent Senior se dava por ser um modelo que era basicamente voltado para os custos e não, muitas vezes, para o bem-estar e o que o paciente precisava", afirmou.

O profissional afirmou que essa lógica já era adotada muito antes da pandemia do novo coronavírus.

"Algumas condições não são exclusivas da pandemia. São coisas que acontecem na Prevent de forma crônica e que estão inseridas na cultura da empresa. A Prevent Senior, até pouco tempo, acho que usava no comercial deles que eles são especialistas em pessoas, mas eu sempre via a Prevent especialista em números", afirmou.

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