George Orwell é tema de quadrinho biográfico recém-lançado no Brasil que concorre ao prêmio Eisner

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Estão de olho em George Orwell. E não se trata do Grande Irmão, personagem emblemático de um de seus melhores romances.

Pouco antes de entrar em domínio público, no ano passado, o escritor britânico, que nasceu na Índia, em 1903, e morreu em Londres, 46 anos depois, virou tema de duas HQs, uma delas recém-lançada no Brasil, a outra, publicada em 2020. Em comum, além de Orwell, indicações ao Prêmio Eisner, cujo resultado será revelado no fim de julho, na San Diego Comic Con.

Enquanto “1903: Orwell” (Darkside), dos franceses Pierre Christin e Sébastien Verdier, disputa na categoria “Melhor Publicação Baseada em Fatos”, “1984” (Quadrinhos na Cia.), do brasileiro Fido Nesti, concorre a “Melhor Adaptação de Outra Mídia”.

Censurado na China

Nesti diz que soube da indicação por acaso, quando esbarrou com o anúncio da Comic Con enquanto procurava saber em quais países sua adaptação da obra máxima de Orwell já tinha saído além de Brasil e EUA.

E não foram poucos: França, Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, Grécia, Polônia, Turquia, Hungria e Argentina, além do Reino Unido. Os próximos países serão Japão, Rússia, Letônia, Romênia, Egito e Coréia do Sul.

— Estava tudo certo para sair na China, mas acabou não passando pela censura do governo (o original nunca foi publicado por lá) — revela o quadrinista paulista nascido em 1971. — Isso mostra bem como a mensagem de Orwell é poderosa, pode incomodar e continua tão relevante.

Foi curiosamente no ano de 1984, quando o Brasil ainda vivia em uma ditadura, que Nesti, com 13 anos, leu o romance mais famoso de Orwell. E, ao adaptar o livro para os quadrinhos tantos anos depois, ninguém menos que Richard Blair, filho do autor britânico e patrono da Orwell Foundation, foi um dos avaliadores do trabalho.

— O maior desafio foi sintetizar um texto tão especial e tão rico em detalhes para acompanhar os desenhos de cada quadrinho — explica Nesti por email. — O leitor que já é íntimo do texto ou que ainda vai atrás do original (e eu sempre recomendo que façam isso) vai enxergar esse equilíbrio entre palavras e imagens.

E arremata a questão, à luz do momento atual:

— Outra dificuldade foi manter a cabeça no lugar, estando ao mesmo tempo imerso também em outras distopias, como o auge da pandemia e as medidas (ou falta delas) desastrosas do governo para combatê-la.

Se “1984” traz em seu título o ano de um futuro distópico que já é passado para nós, a HQ “1903: Orwell” conta a biografia do escritor britânico e suas aventuras reais a partir da data de nascimento de Eric Blair, o nome de batismo de George Orwell.

A vida de Blair foi tão intensa quanto a ficção de Orwell, como se vê no quadrinho, que insere de forma sutil elementos coloridos e textos do próprio escritor britânico. Ele foi guarda da polícia imperial indiana na Birmânia (hoje Myanmar), viveu na pior em Londres e Paris (experiência que renderia um livro de não ficção já publicado no Brasil), lutou na Guerra Civil Espanhola, trabalhou como jornalista e terminou como escritor.

Seu último romance foi concluído em 1948 e lançado em junho do ano seguinte, sete meses antes de sua morte, de tuberculose, aos 46 anos. Orwell determinou o título do livro de forma simples: inverteu os dois últimos números daquele ano.

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