Geosmina na água do Rio está acima do limite, aponta laudo da Cedae; veja os lugares afetados

Gilberto Porcidonio
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Um relatório de qualidade da água divulgado pela Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) nesta quinta-feira, dia 4, mostra que o nível de geosmina está acima do limite máximo, o que está alterando o gosto da água em todo o Estado. Os testes foram feitos nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro.

De acordo com os padrões estabelecidos pela portaria 2914 do Ministério da Saúde, o nível máximo de gosto deve estar em 6 (fraco ou moderado). O monitoramento, no entanto, apontou grau 8 (moderado).

De acordo com a análise, o problema foi detectado em cerca de 17 bairros da cidade, sendo a Zona Oeste (Campo Grande, Bangu, Realengo, Taquara, Jacarepaguá e Praça Seca) a região mais afetada. Porém, o levantamento do GLOBO aponta que a irregularidade na qualidade da água já foi registrada, em mais de 50 bairros, além de em Duque de Caxias, Nilópolis e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O problema teria começado desde o dia 19 de janeiro.

Apesar das reclamações, na terça-feira, dia 2, o presidente da Cedae, Edes Fernandes de Oliveira, afirmou que bebe água da torneira e que sentir gosto e cheiro de terra na água depende da percepção olfativa de cada pessoa. Ele também havia destacado que todas as providências tomadas pela Cedae estão dando certo, já que os valores de geosmina na água estariam cem vezes menores que na crise do ano passado.

— Eu bebo água da torneira. Eu confio plenamente nos técnicos da Cedae, na Estação de Tratamento do Guandu. Fui gerente da Estação do Guandu, sei o trabalho que se realiza lá. Para mim, na minha região, não está chegando água com gosto e odor. Vocês devem estar percebendo que algumas regiões estão reclamando e outras, não. Isso é muito da percepção. Porque cada um tem uma percepção olfativa diferente — disse Edes ao "Bom Dia Rio", da TV Globo, na terça-feira.

Às pessoas que estavam reclamando publicamente da irregularidade nas redes sociais, a Cedae chegou a mandar mensagens, via Twitter, avisando que a água estava "dentro dos padrões de potabilidade e consumo", dizendo que a análise das amostras apresentou traços de geosmina/Mib em níveis muito baixos, o que explicaria a alteração de gosto e odor, mas que ainda atendia aos parâmetros do Ministério da Saúde. A atitude da empresa causou revolta.

"Desde muito nova aprendi na escola que a água pra ser potável primeiramente tinha que ser incolor, insípida e inodora. Ensinaram errado ou vocês mudaram o que aprendemos?", respondeu uma usuária da rede.

A Zona Sul da capital está sendo a região onde, apesar da geosmina ter chegado por último e com menos intensidade até o momento, também está afetando a vida dos moradores. Moradora de Botafogo, a designer Marina Lacanna percebeu a alteração na água há duas semanas, enquanto escovava os dentes:

— Foi bem horrível. Agora nós estamos tendo muito gasto com água mineral, pois o filtro, que é novinho, não impede o gosto. Os cães e os gatos também estão tomando água mineral, que está muito cara e começando a faltar aqui nos mercados.

A Zona Sul da capital está sendo a região onde, apesar da geosmina ter chegado por último e com menos intensidade até o momento, também está afetando a vida dos moradores. Moradora de Botafogo, a designer Marina Lacanna percebeu a alteração na água há duas semanas, enquanto escovava os dentes:

— Foi bem horrível. Agora nós estamos tendo muito gasto com água mineral, pois o filtro, que é novinho, não impede o gosto. Os cães e os gatos também estão tomando água mineral, que está muito cara e começando a faltar aqui nos mercados.

Morador da Rua Joseph Bloch, em Copacabana, o gerente de alimentos e bebidas Marcelo França, de 28 anos, também diz que gosto e cheiro fortes voltaram à rotina desde janeiro. O jeito tem sido gastar dinheiro com água mineral. Para ele, a situação é idêntica à do ano passado:

— O gosto ruim retornou desde o meio de janeiro. Gosto e cheiro muito fortes, no mesmo patamar do ano passado. O prédio todo onde moro está reclamando da situação. Minha avó mora em outra rua aqui do bairro, e cheiro e sabor da água também estão fortes por lá — diz ele.

No Pechincha, na Zona Oeste, a água com "cheiro de terra" também apareceu. Por conta disso, o professor Douglas Nimb percebeu que isso já está afetando os preços da água mineral:

— Os mercadinhos do bairro já até aumentaram o valor da água mineral prevendo a alta demanda. Passei hoje em um e já tem uma água mineral em promoção onde até semana passada era o preço comum.