Caixa dois, lavagem de dinheiro e corrupção: Alckmin vira réu por suposto repasse de R$ 11 milhões

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Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
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O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) virou réu na Justiça Eleitoral de São Paulo e vai responder agora pelos crimes de caixa dois, corrupção e lavagem de dinheiro. A denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) foi aceita ontem pelo juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral.

A acusação contra o ex-governador e candidato do PSDB à Presidência da República em 2018 foi apresentada no âmbito da Lava-Jato eleitoral paulista.

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No despacho, o magistrado escreveu que constatou “presentes indícios da ocorrência dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, corrupção passiva e lavagem de dinheiro” por parte dos denunciados.

Além de Alckmin, Marco Antonio Monteiro, ex-tesoureiro do PSDB e ex-secretário de planejamento do governo de São Paulo, e seis delatores se tornaram réus.

A denúncia do MP afirma que Alckmin recebeu R$ 2 milhões da Odebrecht na campanha ao Palácio dos Bandeirantes em 2010 e R$ 9,3 milhões quando disputou a reeleição, em 2014. De acordo com os investigadores, além da delação de ex-executivos da Odebrecht, também foram obtidas provas em sistemas de informática e extratos telefônicos.

Os crimes teriam sido cometidos como contrapartidas às obras do Metrô e do Rodoanel, que liga diversas estradas no estado.

“Os depoimentos dos colaboradores e das testemunhas, somados aos elementos de corroboração acostados aos autos, em tese, perfazem conjunto de indícios, por ora, capaz de reforçar a convicção sobre o envolvimento dos denunciados no complexo esquema de solicitação e recebimento de vantagens indevidas em razão de função política, omissão de dados à Justiça Eleitoral e lavagem de capitais”, escreveu o juiz.

O nome do então governador apareceu na delação de três executivos da Odebrecht. Benedicto Júnior, que atuava no departamento de Operações Estruturadas, conhecido como departamento de propina, disse que a empreiteira repassou R$ 11,3 milhões para as campanhas de 2010 e 2014, sem registro na Justiça Eleitoral.

Em nota, a defesa de Alckmin disse que a denúncia “dará a oportunidade que foi até agora negada ao ex-governador de se defender e de contraditar as falsas e injustas acusações de que está sendo vítima e, principalmente, de provar a sua improcedência”. O PSDB de São Paulo também divulgou nota em que reiterou sua “confiança na idoneidade de Geraldo Alckmin”.

A defesa de Marcos Monteiro reiterou a nota divulgada na semana passada, quando houve a apresentação da denúncia. Disse que os fatos são “infundados, fruto da reiteração de procedimentos que visam atingir o direito de defesa e o contraditório” e que o ex-tesoureiro do PSDB “provará sua inocência, no momento em que for ouvido nos autos”.

Serra deixa de ser réu

O juiz federal Diego Paes Moreira determinou, nesta quinta-feira (30), a suspensão da ação penal contra o senador e ex-governador José Serra (PSDB) e a filha dele, Verônica Allende Serra, por lavagem de dinheiro.

A decisão vem um dia depois da Justiça Federal aceitar a denúncia realizada pelo Ministério Público Federal (MPF). Logo após a aceitação, porém, uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli suspendeu todas as investigações da Lava Jato envolvendo a campanha do tucano.

"Em que pese a decisão do STF não determinar de forma explícita que a presente ação penal seria abrangida pela determinação de suspensão, eis que em sua redação consta a indicação de que foi determinada a suspensão da investigação deflagrada, por cautela entendo que a presente ação penal deve ser suspensa até nova ordem do Supremo Tribunal Federal. Assim, em cumprimento ao quanto determinado pelo Supremo Tribunal Federal na Reclamação 42.355, suspenda-se o andamento dos presentes autos", escreve o magistrado.

Serra e sua filha foram denunciados pela força-tarefa da Lava Jato em São Paulo por suposto recebimento de propina que teriam sido pagas pela construtora Odebrecht entre 2006 e 2014, em contrapartida a benefícios nos contratos envolvendo o Rodoanel Sul.

***Com informações de Sérgio Roxo, do Extra